O Patriarca de Lisboa apelou este sábado à solidariedade do Governo no próximo Orçamento do Estado, para que eventuais novas medidas de austeridade não atinjam os mais sacrificados.

«O que for necessário ainda sacrificar, que atinja quem se possa sacrificar e que tenha sempre em conta o bem de todos e, sobretudo, daqueles que já não têm quase nada», afirmou à agência Lusa o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

Neste sentido, alertou que «os responsáveis políticos têm de tomar medidas com muita solidariedade», sublinhando que chegam às instituições sociais e de caridade cada vez «mais pedidos de ajuda».

«Havia muita gente que não recorria às instituições de solidariedade e agora recorre, desde há dois ou três anos. Portanto, já não são só os pobres, mas pessoas da classe média que recorrem de uma maneira envergonhada face à perda de estatuto», afirmou.

Em relação aos cortes anunciados das pensões de sobrevivência, chamou «a atenção para que, com este novo desemprego, muitas pensões de pais e avós também servem para ajudar filhos e netos, que estão desempregados».

Considerando que é preciso tomar medidas «para resolver as dificuldades do país sob assistência externa e para haver investimento e desenvolvimento», defendeu que os membros do Governo devem «ter uma ação muito pedagógica», no sentido de explicá-las aos portugueses, cuja «maioria não é especialista» em matérias, como finanças.

«Não é possível resolver por nós [no atual contexto do país sob dependência externa] as nossas dificuldades, o que limita a capacidade de ação sobre os recursos nacionais», lembrou D. Manuel Clemente.

O Patriarca de Lisboa falava no final de uma missa de celebração dos 110 anos da Associação dos Bombeiros de Torres Vedras, donde é natural.

O Orçamento do Estado para 2014 (OE2014) tem que ser entregue para a apreciação na Assembleia da República na próxima semana, já que o dia 15 de outubro (terça-feira) é a data-limite para o efeito.