A organização da manifestação desta quinta-feira dos profissionais de segurança afirmou que a invasão da escadaria da Assembleia da República foi uma «ação simbólica» e «um estado de revolva» contra a governação do país.

«O que aconteceu aqui foi um estado de revolta», disse à agência Lusa o secretário nacional da Comissão Coordenadora Permanente (CPP) dos Sindicados e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, Paulo Rodrigues.

Paulo Rodrigues adiantou que foi apenas um «ato simbólico», não se tendo registado agressões nem feridos, e resultou de uma «atitude espontânea».

Apesar das declarações do responsável, a agência Lusa testemunhou no local a existência de um manifestante ferido durante os acontecimentos desta noite, junto à Assembleia da República.

«O Governo tem de analisar muito bem o que aconteceu aqui. Não só a atitude simbólica de entrar nas escadas da Assembleia da República, mas também pela mobilização», afirmou o representante da comissão que organizou a ação que mobilizou mais de dez mil polícias de todo o sector da segurança interna.

Questionado sobre a possibilidade de o ministro da Administração Interna abrir um inquérito sobre os acontecimentos ocorridos esta noite, Paulo Rodrigues considerou que «não há razão para haver qualquer inquérito», voltando a reafirmar que «não houve feridos nem danos» e que «foi um ato simbólico».

Os milhares de polícias que hoje se manifestaram em Lisboa e que conseguiram chegar à entrada principal da Assembleia da República começaram a desmobilizar por volta das 21:15.

A CCP tinha previsto entregar no final da manifestação uma petição à Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, mas devido aos acontecimentos tal não aconteceu.

A manifestação começou por volta das 17:30 no Largo do Camões, tendo depois a concentração seguido para a frente da Assembleia da República.

Por volta das 20:00, um grupo de manifestantes acabou por derrubar a barreira que existia no fundo da escadaria, deixando de haver uma separação física entre os manifestantes e aos agentes da PSP de serviço.

O ambiente de alguma tensão, com muitos manifestantes a fazerem força para quebrar a barreira humana, acabou por levar um grupo de manifestantes a fazer uma segunda barreira humana para apoiar os polícias fardados.

A situação acabou por se acalmar, mas, cerca de meia hora depois, os manifestantes acabaram por subir as escadarias e ficar junto à entrada da Assembleia da República, onde entoaram o hino nacional e palavras de ordem.

Espontaneamente, os manifestantes começaram a abandonar o local por volta das 21:15.