José Alves Costa, o homem que teve ordem para disparar e não matou Salgueiro Maia. O herói desconhecido do 25 de abril de 1974 revelado 40 anos depois.

É um «militar-chave do 25 de Abril» e que permaneceu até agora no anonimato. É o cabo apontador que estava no carro blindado, junto do Terreiro do Paço, e que teve Salgueiro Maia em ponto de mira. Recebeu ordem para disparar num dos momentos de maior tensão daquela manhã, mas não a cumpriu.

O militar foi descoberto pelos jornalistas Adelino Gomes e Alfredo Cunha que estiveram lá também naquela manhã a retratar a revolução e que agora procuraram rostos decisivos da revolução, mas que ficaram no anonimato. É o caso deste militar, José Alves Costa.

A história dos vencedores do 25 de abril é contada desde 1974, mas a dos derrotados que chegaram ao Terreiro do Paço para defender o regime, começa a ser contada agora através das páginas de «Os rapazes dos tanques».

Quarenta depois, este é o rosto do homem que naquela manhã não cumpriu as ordens do Brigadeiro Junqueira dos Reis e não disparou sobre a coluna de Salgueiro Maia, que depois lhe chamou «a insubordinação mais bela do 25 de Abril».

José Alves Costa, o homem porque quem tantos procuram ao longo destes últimos 40 anos, um dos que poderia ter dado outro desfecho àquela manha que derrubou o regime, sai agora do anonimato pela escrita de Adelino Gomes e pelas fotografias de Alfredo Cunha. E conta a todos como foi...

Este homem nunca quis louvores, até porque o futuro era incerto.

Desde Abril de 74 que José nunca mais regressara a Lisboa. Desde então tem vivido em Balazar, Póvoa de Varzim, a aldeia natal, acompanhado pela família.

Alfredo Cunha e Adelino Gomes, repórter fotográfico e jornalista estiveram juntos naquela manhã no Terreiro do Paço. Mais tarde surgiu-lhes a vontade de revelar as histórias de tantos oficiais, furriéis, cabos e soldados, tal como José Alves Costa: os homens do outro lado. Agora, no livro «Os rapazes dos tanques», dão vida em imagens e testemunhos aos homens na frente da cavalaria, que derrubaram a ditadura e logo regressaram ao anonimato.