A banda da GNR, a cavalo, abriu este domingo o desfile da coleção para o próximo inverno de Nuno Gama, que decorreu ao ar livre, no Terreiro no Paço, no âmbito da 42.ª edição da ModaLisboa.

Com o céu a ameaçar chuva, elementos da banda da Guarda Nacional Republicana (GNR), a cavalo, entraram na passerelle improvisada no Terreiro do Paço, e que dava a volta à estátua de D.José I, pelas 15:30, dando o mote à apresentação de «Panteão».

Depois dos cavalos, chegaram mais elementos da banda, apeados, que se mantiveram como cenário do desfile, que foram musicando ao vivo com músicas tradicionais portuguesas, como «Cheira bem, cheira a Lisboa», e pedaços do hino nacional.

Convencer a GNR a participar no desfile foi o mais fácil possível. Nuno Gama contou à Lusa, no final da apresentação, que bastou «um email», no qual elogiava o «genial» trabalho da GNR e contava que já tinha assistido a várias paradas.

Uma das ideias do designer de moda foi «desmistificar» esta força de segurança.

«Por que é que a GNR é tão GNR e não pode ser as pessoas que todos nós somos? É importante essa aproximação, e desmistificar», disse.

«Desmistificar» foi a mesma razão que o levou a optar por um desfile ao ar livre, aberto ao público em geral.

«Porque não abrir a outras pessoas e desmistificar? Se não vender e não tiver oportunidade de chegar a cada vez mais pessoas, não tenho condições para continuar aqui», justificou.

Nas peças de roupa, Nuno Gama utilizou, como já é sua imagem de marca, elementos tipicamente portugueses estampados em camisolas e t-shirts, como um retrato da fadista Amália Rodrigues, com a palavra AMÁL(I)A, uma imagem do futebolista Eusébio a pontapear uma bola, ou as caras do poeta Luís Vaz de Camões, com a palavra Nobreza, e do descobridor Vasco da Gama, com a palavra Visão.

«É o meu ADN a funcionar a 500 à hora», comentou.

Numa outra camisola, Nuno Gama estampou, na frente, uma imagem do rei D. Sebastião, e atrás a frase «D. Sebastião volta, estás perdoado».

Nos casacos, muitos com um corte tipicamente militar, surgiam nas golas ricas em verde, amarelo e vermelho, remetendo para as cores da bandeira nacional.

Como já vem sendo habitual, para apresentar as suas peças de roupa, o designer de moda escolheu, além de manequins profissionais, atletas, como Simão Morgado, e atores, como Paulo Pires, Isaac Alfaiate e Jorge Corrula, que fizeram as delícias da plateia.

Além das peças para homem, o designer de moda voltou a apresentar roupas para mulher, optando por criar vestidos, a maioria longos, em tons escuros.

«Quero fazer uma linha especial de senhora, não me apetece fazer uma linha igual à de homem. É um exercício de pesquisa de coisas que ficaram esquecidas há um tempo¿, afirmou, acrescentando que «a ideia destes vestidos é captar outro tipo de clientes, as mulheres».

Com o desfile da coleção de Nuno Gama, que abriu o terceiro e último dia, a ModaLisboa saiu à rua pela primeira vez nesta 42.ª edição, dando a possibilidade a dezenas de pessoas a assistirem a um desfile, que habitualmente seria reservado à comunicação social e a convidados, c9omo reporta a Lusa.