O patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, disse esta quarta-feira que é necessário não deixar «cair ninguém por descuido ou omissão» e apontou a fraternidade como o caminho para a paz, na homilia do primeiro dia do ano.

«O mais necessário é que não deixemos cair ninguém por descuido ou omissão», disse Manuel Clemente, acrescentando que o exercício da fraternidade se deve alargar à «sociedade inteira» que, só assim, «fará jus a esse nome».

«O melhor que as comunidades cristãs e outras comunidades crentes podem e devem fazer neste momento complexo e mesmo trágico da História mundial é serem escolas de fraternidade, escolas de solidariedade entre os seus membros e para com todos, concretizando um desígnio universal de[...] justiça e paz entre pessoas, povos e culturas», prosseguiu Manuel Clemente.

Manuel Clemente presidiu hoje à missa na igreja paroquial de Moscavide, uma celebração que assinalou a solenidade de Santa Maria Mãe de Deus e o Dia Mundial da Paz.

Inspirado pela mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz, intitulada «Fraternidade, fundamento e caminho para a paz», Manuel Clemente alertou para a «gravidade de uma globalização" que proporciona "proximidades inéditas», mas que nem sempre significa "vizinhança e fraternidade universais".

Adiantou que esta globalização «exige um compromisso reforçado tanto pelos problemas a resolver como pelos meios de que dispomos para tal».

Por isso, recomenda o patriarca de Lisboa, é preciso começar a agir «pouco a pouco, exemplo a exemplo» porque o «bom contágio alargará» e acabaremos por ser «supreendidos pelo alcance dos pequenos gestos».

«A crise atual, com pesadas consequências na vida das pessoas, pode ser também uma ocasião propícia para recuperar as virtudes da prudência, temperança e justiça e fortaleza. Elas podem ajudar-nos a superar os momentos difíceis e a redescobrir os laços fraternos que nos unem», disse Manuel Clemente, citando a mensagem do papa Francisco.

«As referidas virtudes são necessárias para construir e manter uma sociedade à medida da dignidade humana», prosseguiu na citação.

Manuel Clemente sublinhou o facto de o papa mencionar a virtude da temperança imediatamente a seguir à prudência, considerando que hoje «precisamos de ser mais módicos nos gastos individuais para que tudo chegue a todos», como cita a Lusa.