A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde concluiu não ter fundamento a denúncia da Ordem dos Médicos de que dois doentes do Hospital de Santa Cruz teriam morrido por falta de um dispositivo para o coração, devido a restrições orçamentais.

As conclusões finais do relatório da inspeção aberta na sequência da morte de dois doentes em lista de espera para colocação de dispositivo cardíaco foram divulgadas nesta quarta-feira pelo hospital em causa, o Hospital de Santa Cruz/Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO).

«Nas conclusões finais, o relatório aponta não ter fundamento a denúncia da Ordem dos Médicos quando vem afirmar que a morte dos dois doentes em lista de espera se ficou a dever à não aquisição dos dispositivos médicos, por restrições orçamentais», afirma o hospital em comunicado.

A IGAS concluiu ainda que «carece de fundamento a denúncia de que, igualmente por restrições orçamentais, não houve reparações e manutenção do equipamento da Unidade de Intervenção Cardiovascular», acrescenta.

O conselho de administração do CHLO lamenta que a Ordem dos Médicos não tenha previamente confirmado os factos que denunciou, uma vez que «vieram criar insegurança nos doentes em lista de espera», além de atentarem contra o bom nome do hospital.

No dia 15 de julho, a Ordem dos Médicos revelou em conferência de imprensa que os dois doentes teriam morrido enquanto se encontravam em lista de espera no Hospital de Santa Cruz para receber dispositivos médicos para tratar por via percutânea uma estenose aórtica de alto risco.

Ainda segundo a Ordem, os médicos do Hospital de Santa Cruz que efetuaram a denúncia à Ordem garantiram que a Unidade de Intervenção Cardiovascular «ficou sem capacidade de resposta desde o dia 4 de julho por falta de manutenção e material».

Na sequência destas denúncias, o Ministério da Saúde ordenou, no próprio dia, a abertura de um processo de averiguações pela IGAS, cujo relatório ficou agora concluído.