A presidente da Câmara de Vila do Conde disse neste sábado que a morte no mar de pescadores do concelho é um «sofrimento permanentemente» naquela comunidade, depois do naufrágio do «Mar Nosso» nas Astúrias, Espanha.

«É muito difícil, não há palavras para exprimir o que sentimos, esta emoção, esta dor, este drama que nos revolta e que nos deixa completamente desfeitos», disse Elisa Ferraz.

A autarca falava aos jornalistas nas Caxinas, pouco depois da chegada ao concelho, cerca das 18:00, dos corpos dos três pescadores que morreram no naufrágio do arrastão «Mar Nosso» na costa das Astúrias, na quinta-feira.

«O sofrimento desta comunidade é um sofrimento que permanentemente nos assola, a qualquer momento, e nos deixa completamente sem palavras», disse a presidente da Câmara de Vila do Conde.

Os três corpos foram recebidos com lágrimas por dezenas de familiares dos pescadores, nomeadamente na zona das Caxinas, depois de uma viagem de quase sete horas desde Gijón, no norte de Espanha.

Alguns familiares viajaram na sexta-feira para aquela região num autocarro da autarquia para acompanhar o processo de trasladação dos corpos para Portugal, estando o município a assegurar ainda apoio psicológico.

«Tudo o que podemos fazer para minimizar este sofrimento estamos a fazer. É a nossa parte nesta dor que não tem solução porque estes pescadores desapareceram lutando, no mar, fora do seu pais, em condições adversas, por um trabalho», disse ainda a autarca.

Embora apontando que os acidentes «podem acontecer em qualquer local», Elisa Ferraz lamentou que estes pescadores tivessem de procurar trabalho fora do país.

«Ficamos tristes, os pescadores das Caxinas deixam a vida em Espanha», disse, recordando que outros dois pescadores do concelho morreram há poucos dias na mesma região espanhola. Além disso, do naufrágio do «Mar Nosso» permanecem desaparecidos outros dois pescadores locais.

A autarca sublinhou ainda a «sintonia completa» das autoridades portuguesas e espanholas, o que permitiu que «em tão pouco tempo», e sobretudo numa altura de festividades da Páscoa, fosse possível libertar os corpos dos três pescadores.

De acordo com fonte da Junta de Freguesia de Vila do Conde, os funerais dos pescadores José Esteves e de António Cascão estão agendados para as 15:00 de segunda-feira, na igreja do Senhor dos Navegantes, nas Caxinas.

Pelas 10:00 de domingo, também em Vila do Conde mas na Igreja de São Francisco, realiza-se o funeral de Américo dos Santos, indicou a mesma fonte.

De acordo com a Elisa Ferraz, o arcebispo de Braga (a paróquia de Vila do Conde pertence àquela arquidiocese), Jorge Ortiga, vai visitar nas próximas horas o concelho para dar «alento» aos familiares destes pescadores.

A bordo do «Mar Nosso», de bandeira portuguesa e propriedade de um armador de Marín, na Galiza, estavam 12 tripulantes, dos quais sete eram portugueses - a maioria das Caxinas - e cinco espanhóis.

Sete marinheiros foram resgatados com vida - os cinco espanhóis, da Galiza, e dois portugueses.

As buscas para encontrar os dois pescadores portugueses ainda desaparecidos continuam.