Atualizada às 15:27

Morreu o pintor Nadir Afonso, esta manhã, no Hospital de Cascais. A informação foi confirmada à Lusa por fonte familiar. Nadir Afonso tinha 93 anos e as suas obras estão expostas em museus de todo o mundo.

O funeral realiza-se no sábado de manhã na sua terra natal, Chaves, avançou à Lusa fonte da câmara municipal.

Nascido em Chaves, a 4 de dezembro de 1920, Nadir Afonso formou-se em Arquitectura, na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Mas a atração pela pintura começou mais cedo: aos 14 anos, pintou os primeiros trabalhos a óleo e, com 17 anos, ganhou um segundo prémio num concurso de pintura.

Aos 20 anos, realizou as primeiras exposições como aluno da Escola de Belas-Artes. Em 1944, participou na IX Exposição de Arte Moderna, em Lisboa, com trabalhos de tendências surrealistas, elogiados pela crítica. Aos 24 anos, expôs no Museu de Arte Contemporânea de Lisboa a obra «A Ribeira».

Em 1946, emigrou para Paris, onde estudou pintura na École des Beaux-Arts. Apadrinhado por Portinari, conseguiu uma bolsa do Governo francês, que durou até 1948. Mas foi Le Corbusier, com quem colaborou, que considerou a sua maior influência. Consta que o arquiteto lhe dava as manhãs de folga para poder pintar, sem lhe cortar no ordenado. Foi nesta altura que começou o período Barroco de Nadir Afonso.

Obra de Siza Vieira para pinturas de Nadir Afonso

Chaves decreta dois dias de luto por Nadir Afonso

Nadir Afonso era «um homem-espetáculo»

Nadir Afonso, considerado um dos pioneiros da arte abstrata, tinha formação em arquitetura e chegou a trabalhar com o arquiteto suíço Le Corbousier e com o brasileiro Oscar Niemeyer, num percurso elogiado agora por João Belo Rodeia.

O presidente da Ordem dos Arquitetos recorda que Nadir Afonso tinha sido homenageado recentemente como membro honorário da associação em reconhecimento da «carreira extraordinária».

«Apesar de achar que a arquitetura era utilitária, ele teve uma fase na vida dele em que se dedicou muito e bem à arquitetura», sustentou João Belo Rodeia, afirmando que Nadir Afonso se focou na pintura por ser uma arte que lhe dava mais liberdade.

Entre 1952 e 1954, trabalhou no Brasil com o arquiteto Oscar Niemeyer. Em 1954, regressou a Paris, retomando contacto com os artistas orientados na procura da arte cinética. Em Paris, desenvolveu os estudos sobre pintura que denomina «Espacillimité».

De acordo com o site do pintor, Na vanguarda da arte mundial, Nadir Afonso expôs, em 1958, no Salon des Réalités Nouvelles, o trabalho «espacillimités», animado de movimento.

Em 1965, abandonou definitivamente a arquitetura, refugiou-se num grande isolamento e acentuou o rumo da sua vida exclusivamente dedicado à criação da sua obra.

Em Janeiro de 2009, foi apresentado em Chaves o projeto da autoria de Siza Vieira da sede da Fundação Nadir Afonso. O empreendimento foi orçado em 8,5 milhões de euros.

Academia de Belas Artes lamenta óbito de «grande figura»

O presidente da Academia Nacional de Belas Artes, António Valdemar, lamentou a morte do pintor Nadir Afonso, considerando-o uma «grande figura da arte portuguesa do século XX».

António Valdemar recordou que Nadir Afonso era há muitos anos membro da Academia Nacional de Belas Artes, onde fez diversas «intervenções notáveis».

«Grande figura da arte portuguesa do século XX, Nadir Afonso afirmou-se em diversas áreas de expressão plástica e com um forte poder de inovação», sublinhou.