O poeta José Terra, de 83 anos, faleceu esta sexta-feira de manhã em Paris, disse à Lusa o poeta Luís Amaro, seu amigo e ex-diretor adjunto da revista Colóquio Letras.

José Terra é o pseudónimo de José Fernandes da Silva, nascido a 24 de maio de 1928 em Prozelo, no concelho de Arcos de Valdevez.

Como poeta, Terra estreou-se em 1949, com o livro «Canto da ave aprisionada», uma edição de autor que foi apreendida pela censura, contou à Lusa Luís Amaro, que organizou a Obra Poética de José Terra, em quatro volumes, que «deverá sair dentro e 15 dias» na Modo de Ler, editora livreira do Porto, disse.

José Terra foi cofundador da revista «Árvore: folhas de poesia» (1951-53), com António Luís Moita, António Ramos Rosa, Raul de Carvalho e Luís Amaro.

A sua obra «Espelho do Invisível», editada em 1959, foi considerada por Ramos Rosa, na revista Seara Nova, como «um dos mais notáveis livros de poesia portuguesa, escrito nos últimos anos», recordou Amaro.

«Nessa mesma crítica, Ramos Rosa referiu-se aos 39 sonetos que constituem a obra, [colocando-os] entre os mais belos da Língua Portuguesa de qualquer época».

Filólogo, historiador, ensaísta, crítico e tradutor, José Terra foi professor desde 1984 até à jubilação, na Universidade Sorbonne - Paris III.

«Para o poema da criação» (1953) e «Canto submerso» (1956), este distinguido com o Prémio Teixeira Pascoaes, são outros dois títulos poéticos de José Terra, que escreveu também o conto «Vou até ao fim do mundo» (1951).

Tendo frequentado o seminário até aos 17 anos, fixou-se em Lisboa como empregado comercial, em 1946, e licenciou-se em Filologia Clássica pela Universidade de Lisboa, tendo-se doutorado na Sorbonne - Universidade de Paris III, em 1984, com a tese «João Rodrigues de Sá de Meneses e o Humanismo Português».

José Terra lecionou no ensino secundário, em Lisboa, e, a partir de 1957, ano em que foi nomeado pelo Instituto de Alta Cultura como Leitor de Português numa universidade em França, «não mais deixou de ensinar e promover a língua e a cultura portuguesas nesse país», disse à Lusa José Carlos Canoa, autor do blog «Literatura,Literatura,Literatura», e professor do Ensino Secundário.

Como ensaísta, Terra dedicou-se sobretudo à literatura e à história do Renascimento.

Como tradutor, José Terra passou para português obras de David Garnett, Giovanni Papini, François Mauriac, Vasco Pratolini, Albert Camus, André Maurois, Paul Arrighi, Pierre Teilhard de Chardin, Elio Vittorini, Georges Le Gentil e Colette Callier-Boisvert.

Para francês, José Terra traduziu uma antologia poética de Ruy Belo, «Une façon de dire adieu» (1995), recorda a Lusa.