O ministro da Saúde admitiu, esta terça-feira, que há falta de enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde, mas sublinhou que a exaustão de que aqueles profissionais se queixam deriva da acumulação de funções nos setores privado e social.

«Não podemos esquecer que, tipicamente, um enfermeiro desempenha, muitas das vezes, o seu horário num hospital público e depois tem uma outra função, ou às vezes mais duas, com que acumulam», referiu Paulo Macedo, à margem de uma visita ao Hospital de Braga.

Os enfermeiros têm vindo a fazer greves um pouco por todo o país, alegando que a escassez de profissionais os obriga a cargas horárias de trabalho muito intensas, o que os está a deixar à beira da «exaustão» física e psicológica.

Para Paulo Macedo, aquela não é uma questão «que deva levar à greve».

«Percebo algum tipo de insatisfação, percebo que os horários foram aumentados, mas a questão da exaustão não tem a ver apenas com o Serviço Nacional de Saúde, tem a ver com todo o enquadramento da enfermagem e todos as solicitações ao enfermeiro em Portugal», referiu.

O ministro reconheceu que há «falta de enfermeiros», mas garantiu que o Governo está a fazer, ao longo deste ano, um recrutamento «significativo» daqueles profissionais.

Isto apesar de, como lembrou, com a entrada em vigor da «lei das 40 horas» haver mais tempo de enfermagem disponível nos hospitais.

«Mas também há pessoas que se reformam e, por isso, iremos contratar mais enfermeiros. Achamos que este reforço é importante, porque os enfermeiros são uma peça essencial [no Serviço Nacional de Saúde]», acrescentou.

Ministro satisfeito com produção do Hospital de Braga

Durante a sua visita ao Hospital de Braga, o ministro da Saúde manifestou-se «satisfeito» com a produção do centro, gerido pelo Grupo Mello Saúde ao abrigo de uma parceria público-privada, destacando o aumento de cirurgias e primeiras consultas.

«Estamos satisfeitos com a "perfomance" em termos de assistência clínica, que aumentou e melhorou», disse Paulo Macedo.

O ministro sublinhou que atualmente há mais 30 por cento de primeiras consultas do que antes de a parceria ser estabelecida e que o número de cirurgias aumentou 50 por cento.

«E, por outro lado, os índices de satisfação, medidos mensalmente, também são bons», disse ainda, para enfatizar que aquele hospital tem uma capacidade de resposta «sem dúvida melhor do que a que existia anteriormente».

No entanto, adiantou que ainda «há muita coisa que o hospital tem de melhorar».

«Temos sempre a preocupação em termos de acesso (listas de espera, primeiras consultas) e temos sempre de ter em atenção a qualidade clínica em termos globais, porque em termos de produção, ela existe, tem números significativos, está a decorrer de forma assinalável», afirmou.

Ressalvou que, no Hospital de Braga, apesar de «questões pontuais que vão sendo resolvidas», aquela qualidade clínica «existe».

Em relação ao contrato estabelecido entre a administração do Hospital de Braga e o Estado, Paulo Macedo disse que «está a ser cumprido».

Lembrou que quando não é cumprido, «há penalidades, como tem acontecido», mas acrescentou que o cumprimento do contrato tem vindo progressivamente «a ser maior».

«É natural que no início houvesse alguns incumprimentos e é natural que esses hoje sejam mínimos e tendam a inexistir. É essa a evolução que esperamos», salientou.

Como exemplo do progressivo cumprimento do contrato, o ministro apontou a abertura, em abril, da unidade de nefrologia (hemodiálise).