O ministro da Saúde, Paulo Macedo, reputou de falsidade a acusação de que o avolumar de pessoas nas urgências hospitalares seja resultado dos «cortes» do Governo, na área da saúde.

«É totalmente falso. Em termos de urgências melhorámos, em termos de infraestruturas e recursos humanos, e temos hoje uma capacidade de resposta muitíssimo maior», disse Paulo Macedo, acrescentando que os utentes do Serviço Nacional de Saúde «têm uma resposta como não têm em muitos outros sítios da Europa» e, em termos de investimento, «nestes tempos de crise, não têm noutras áreas», cita a Lusa.

Os centros de saúde vão estar abertos até às 22:00 por causa do pico da gripe, anunciou o ministro.

O ministro da Saúde, que falava à margem de uma visita surpresa à urgência do Hospital de Aveiro, onde recentemente se registaram problemas de longos tempos de espera e macas imobilizadas, salientou o esforço que tem sido feito: «Temos, nos últimos três anos, mais três mil médicos recrutados, em termos líquidos e, em termos de enfermagem, embora haja algumas falhas, com o alargamento do horário para as 40 horas, temos hoje uma capacidade de resposta muitíssimo maior, com mais horas assistenciais».

O investimento na melhoria de instalações e equipamento foi igualmente realçado por Paulo Macedo, de que destacou a urgência de Faro, «que deixou de ter as macas todas nos corredores», mas também beneficiações nas urgências do Centro Hospitalar de Coimbra, do Hospital de Santa Maria e dos hospitais de Leiria, Figueira da Foz, Vila Franca de Xira (nova), Amarante e Lamego.

«Temos em curso, para 2014, a melhoria da urgência da Guarda, com a abertura do novo hospital, que terá condições diferentes, temos aprovadas as primeiras obras para Gaia, o que terá reflexos na melhoria da urgência e estamos também a melhorar a urgência de Portalegre e também temos um plano de melhoria da urgência do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra», enumerou.

Aveiro não constava do plano, mas após a visita, o ministro admite que possa vir a beneficiar de intervenção. A administração hospitalar pretende criar mais uma sala de triagem e «via verde coronária e de trauma», o que implica a reorganização do espaço da urgência, ou seja, a realização de obras.

Com mais infraestruturas e mais profissionais, o ministro conclui que a melhoria da resposta das urgências hospitalares em situações de pico terá de passar por melhor organização, lembrando que o Serviço Nacional de Saúde tem, em média, 5,5 milhões de urgências anuais.

O ministro da Saúde sublinhou a necessidade de fazer com que haja médicos suficientes nas especialidades, que são as mesmas «ao longo de décadas», onde «se autoperpetua a escassez».