O presidente do Conselho dos Institutos Politécnicos, Joaquim Mourato, considerou esta quinta-feira que as críticas do ministro Nuno Crato ao sistema de formação das Escolas Superiores de Educação revelam «desconhecimento e grande desconfiança» na Agência de Avaliação e Acreditação.

«Fiquei muito admirado com o que ouvi, pois revela um grande desconhecimento do sistema de Ensino Superior e em especial das escolas superiores de educação», disse à agência Lusa Joaquim Mourato, salientando que as declarações do ministro da Educação, Nuno Crato, demonstram também uma grande desconfiança na Agência de Avaliação e acreditação do Ensino Superior.

O ministro da Educação, Nuno Crato, afirmou, numa entrevista quarta-feira à noite na RTP, que «o sistema de formação de professores tem, neste momento, várias falhas, entre as quais a preparação dos candidatos à entrada para os cursos de habilitação à docência».

Também a preparação à saída do curso suscita dúvidas ao ministro, sobretudo nos casos em que as licenciaturas não foram universitárias.

«A dúvida incide sobre esses licenciados», admitiu Nuno Crato na entrevista à RTP, questionando depois: «Sempre que se faz um exame está-se a dizer que não se confia».

Em declarações à agência Lusa, o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Joaquim Mourato, lamentou «profundamente» as declarações do ministro.

«Fiquei muito admirado com o que ouvi, revela um grande desconhecimento do sistema de Ensino Superior e em especial das escolas superiores de educação. Penso que tudo resultou de um estado e irritação do senhor ministro, tendo em conta o que se passou ontem [quarta-feira] com as provas de avaliação de conhecimento dos professores e, depois, alargou e disparou em todos os sentidos», considerou.

Na opinião do mesmo responsável, as declarações de Nuno Crato foram «infelizes» e criaram «um certo desconforto» nos professores, nas escolas superiores de educação e nos institutos politécnicos.

«Mas, sobretudo, entendo que o ministro demonstrou uma grande desconfiança na Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, uma agência que está em pleno funcionamento há alguns anos, que está integrada numa rede europeia e que nos merece toda a confiança», declarou.

No entender de Joaquim Mourato, a agência exerce um «trabalho de elevadíssima credibilidade», lembrando que todos os cursos de formação foram já creditados pela entidade de avaliação.

«O senhor ministro não acredita no trabalho que esta agência concretiza. Com as declarações de ontem [quarta-feira], Nuno Crato colocou em dúvida o trabalho da agência. É muito mau termos na tutela alguém que nos vem dizer que nos põe em causa, que desconfia do sistema que tutela», concluiu.

As declarações de Nuno Crato foram proferidas numa entrevista à RTP, durante a qual admitiu como provável a marcação para janeiro de uma «segunda chamada» para os professores que quarta-feira não conseguiram fazer a prova de avaliação docente, em consequência da greve ou dos protestos contra a decisão governamental.