Depois da ARS, da Ordem dos Médicos e do próprio hospital, é a vez do ministério da Saúde reconhecer que o caso da inoperacionalidade da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do hospital de Évora é «motivo de preocupação», mas apontou para uma diminuição global destes casos a nível nacional.

«Cada inoperacionalidade é um motivo de preocupação para todos nós. Mas sublinho que a inoperacionalidade das VMER tem vindo a diminuir de forma muito acentuada», declarou o secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde aos jornalistas à margem de uma cerimónia em Lisboa.

Segundo Fernando Leal da Costa, os dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) permitem perceber que atualmente há uma redução próxima de 60% relativamente à inoperacionalidade das VMER nos anos anteriores.

Embora tenha repetido a ideia da diminuição global dos problemas com as VMER, o secretário de Estado frisou que qualquer caso em que não haja serviço é «motivo de preocupação» e tem de ser resolvido com «a máxima rapidez».

«Nem que fosse uma hora inoperacional era motivo de preocupação. Se a VMER foi concebida para estar lá, é para estar sempre disponível. E por isso mesmo é um caso que merce atenção. Tudo faremos para que tendencialmente a inoperacionalidade chegue a zero», disse.

O governante respondia aos jornalistas a propósito do caso da VMER de Évora, que estava inoperacional na terça-feira, por falta de recursos humanos, quando foi chamada a socorrer um doente em paragem cardiorrespiratória, que acabou por morrer.

Leal da Costa admitiu precisamente que a inoperacionalidade das VMER é ditada muitas vezes por «indisponibilidade de recursos humanos», que diz ser sempre ser possível de «colmatar na totalidade».

«Sabemos que o hospital de Évora é um hospital com maiores problemas desse ponto de vista. Estamos a criar condições para que os profissionais tenham mais interesse em ir trabalhar para hospitais do interior», declarou.

A propósito, indicou que os mapas de vagas para colocação de especialistas têm «privilegiado os hospitais interiores», embora reconheça que há lugares que ficam desocupados.

«Estamos a criar condições para que os médicos tenham necessidade e vontade de ir aos concursos que são abertos», cita a Lusa.

Por seu turno, o deputado do PS, Bravo Nico, questionou o Governo sobre a inoperacionalidade da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Évora, considerando que falhas como as de terça-feira «são intoleráveis e não podem voltar a verificar-se».

«Estas situações, pela frequência com que ocorrem no distrito de Évora, pela incapacidade revelada na sua prevenção e pela gravidade das suas consequências para as pessoas envolvidas, são intoleráveis e não podem voltar a verificar-se», afirma o parlamentar socialista.

A VMER do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) estava inoperacional, na terça-feira, no turno entre as 08:00 e as 16:00, por falta de recursos humanos, quando foi chamada a socorrer um homem de 64 anos em paragem cardiorrespiratória, que acabou por morrer.

Numa pergunta dirigida ao ministro da Saúde, o deputado quer saber «quais as indicações dadas» pelo ministério e «quais os procedimentos concretizados» pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo e pelo conselho de administração do HESE para «prevenir situações de inoperacionalidade da VMER».

Este tratou-se do terceiro caso conhecido, em menos de um ano e envolvendo vítimas mortais, em que a VMER de Évora está indisponível para uma situação de emergência, depois de, em abril deste ano, não ter participado no socorro a dois homens que sofreram um acidente, perto de Reguengos de Monsaraz, e que acabaram por morrer.

Também no dia 25 de dezembro de 2013, a VMER estava inoperacional quando um acidente na Estrada Nacional (EN) 114, entre Évora e Montemor-o-Novo, que envolveu dois automóveis e um cavalo, provocou quatro mortos e quatro feridos graves.