O Ministério da Saúde quer que as análises clínicas passem a ser feitas logo nos centros de saúde e, se possível, no próprio dia em que são prescritas pelo médico.

Segundo o «Diário de Notícias», o objetivo é concentrar o serviço de recolhas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), e tentar poupar cerca de 150 milhões de euros por ano com os laboratórios convencionados.

As equipas médicas dos hospitais podem deslocar-se aos cuidados primários, realizar as recolhas e disponibilizar os resultados «online», no próprio dia da recolha. Uma medida que poderá também se pode aplicar às radiografias, que podem chegar no mesmo dia ao médico de família.

«As pessoas preferem fazer a colheita de sangue quando vão à consulta, logo no centro de saúde, sendo o sangue transportado para o laboratório público de referência», disse o secretário de Estado adjunto e da Saúde, Fernando Leal da Costa, ao DN.

O secretário de Estado quer poupar cerca de 150 milhões de euros por ano, apesar de já se ter reduzido os custos em 30%, quando não existe uma necessidade destas despesas, pois para Fernando Leal a oferta nos hospitais é até excedentária. Quem o garante é Luís Cunha Ribeiro, presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

«[O secretário de Estado está] convicto de que há capacidade subaproveitada nos grandes hospitais de Lisboa, Coimbra e Porto, tal como, de forma muito gritante, no Laboratório Regional de Saúde Pública do Algarve. [Não tenho dúvidas que] a oferta é tão excedentária, que o conjunto dos hospitais bastaria para responder à procura».

Cunha Ribeiro garante, no entanto, que os laboratórios convencionados teriam de ser mantidos nos casos das populações mais isoladas ou distantes dos centros.

«Não queremos que as pessoas façam quilómetros, aí teremos sempre a rede dos convencionados».

Por sua vez Germano Sousa, ex-bastonário da Ordem dos Médicos e líder de um grupo com mais de 200 postos de colheita, diz que o Estado não vai poupar.

«Nos hospitais as análises custam 40 a 60% mais do que nos convencionados, em especial depois de termos baixado tanto os valores».

Germano Sousa mostra-se igualmente preocupado com o utente, que na sua opinião, não vai ter liberdade de escolha.

«[Haverá] problemas quanto à liberdade de escolha, quando agora têm um posto em cada esquina. E como vão os hospitais fazer 24 a 30 mil análises diárias? É preciso que haja estafetas para transportaras colheitas e, do que temos visto com outras experiências, os utentes continuam a preferir ir a outras unidades», garantiu o ex-bastonário.