Metade da comunidade gay, lésbica, bissexual e transexual (LGBT) portuguesa continua a sentir-se discriminada pela sua orientação sexual, revela um estudo da União Europeia feito em 28 países.

Segundo o estudo da Agência da União Europeia para os Direitos Fundamentais (FRA), divulgado por ocasião do Dia Internacional Contra a Homofobia, cerca de dois terços dos europeus LGBT permanecem com medo de revelar a sua orientação sexual em público e a maior parte continua a sentir-se discriminada.

De acordo com a agência Lusa, em Portugal, 51% da comunidade portuguesa LGBT afirmou ter-se sentido «discriminada» ou ter sido «assediada» nos últimos 12 meses devido à sua orientação sexual, um valor próximo da média europeia (47%).

Na procura de emprego, 19% sentiu-se descriminada, um valor na média europeia registada, que tem a Dinamarca (11%) como o país mais tolerante e Chipre (30%) como o que mais problemas regista nesta área.

«O medo, o isolamento e a discriminação são fenómenos quotidianos para a comunidade LGBT na Europa», escreveu no relatório o diretor da Agência da União Europeia para os Direitos Fundamentais (FRA), Morten Kjaerum.

A pesquisa online, descrita como a maior de seu tipo, questionou cerca de 93 mil pessoas em 27 estados-membros da União Europeia(EU), para além da Croácia, que deverá entrar na UE em julho, mas não há referência ao número de entrevistados em Portugal.

Mais de um quarto (26%) dos entrevistados disseram que tinham sido fisicamente ou verbalmente agredidos ao longo dos últimos cinco anos. Os transexuais sofrem particularmente, com 28% a afirmar que tinham sido atacados ou ameaçados mais de três vezes nos últimos 12 meses por causa de sua sexualidade, diz o relatório.

Em Portugal, 36% dos interrogados responderam que nos últimos 12 meses sentiram-se descriminados em situações para além do emprego por serem LGBT, um valor acima da média europeia de 32% e dos valores registados em países como Espanha (27%) ou a Holanda, com o menor valor (20%).

O relatório da FRA observou que a discriminação muitas vezes começa na escola, onde dois terços dos entrevistados esconderam sua orientação sexual.

«Dez anos depois, eu ainda considero que ter sido intimidado na escola foi a pior forma de abuso homofóbico que já fui submetido», disse um gay de Malta, com 25 anos, citado no estudo.

Noventa e quatro por cento dos portugueses que responderam ao inquérito disseram que antes dos 18 anos, no seu percurso escolar, foram objeto de condutas negativas por parte dos seus colegas e 60% afirmaram que nesse período normalmente esconderam a sua orientação sexual. A média europeia é respetivamente de 91% e 67 por cento.

«Os estados-membros devem tomar cuidado para que os alunos LGBT se sintam seguros na escola, uma vez que é aí que as experiências negativas das pessoas LGBT, os preconceitos e a exclusão social começam muitas vezes», afirmou a FRA.

Alguns entrevistados europeus disseram que as atitudes discriminatórias têm piorado, mesmo em países que são tradicionalmente considerados tolerantes.

«As situações de assédio, discriminação e violência são atos aleatórios, principalmente de agressão verbal», escreveu um belga homossexual de 27 anos.

«A situação é pior agora do que era, por exemplo, há quatro anos».