A tragédia no Meco tem para já um culpado: a justiça. Curiosos, família e autoridades estão todos no mesmo barco. Pouco ou nada sabemos sobre o que realmente aconteceu.

Olhando para o «timing» das autoridades, o MP também ficou chocado com a morte dos seis jovens. A investigação não foi delegada, de início, numa polícia com competência de investigação criminal na matéria.

Não foram efetuadas diligências iniciais para apurar se existiu alguma responsabilidade, ainda que negligente ou dolosa, de alguém.

Algo que até a senhora da limpeza da casa que os jovens alugaram esperava. Adiou a faxina, porque pensou que a polícia lá iria. Mas não foi.

Um mês depois da tragédia, depois dos pais dos mortos não aguentarem mais o sufoco do silêncio, a Procuradoria-geral da República, como tantas vezes, atrás do frenesim mediático, em vez de à frente, muda o inquérito de mãos, torna-o secreto e chama a PJ ao caso.

No fundo, dizendo, sem dizer, que sim, talvez haja algo mal contado. Talvez haja crime.

Não é a justiça que, ao contrário de todos que especulam com o choque, tem o dever de frieza? De ver para além do óbvio?

Provavelmente, a justiça justificar-se-á dizendo que não é bem assim, que desde o primeiro momento todos indícios foram considerados.

Se assim for, o erro deste juízo só acontece porque a política de transparência com a sociedade e a escrutinação do trabalho judicial é ainda tabu na justiça portuguesa.

Assumir erros judiciais nunca foi o nosso forte.

Neste caso, um erro que prolonga a dor.