Fábio Jerónimo, antigo dux do Conselho Oficial da Praxe Académica (COPA) da Universidade Lusófona, falou sobre o fim de semana da tragédia, em que morreram seis estudantes daquela universidade. Fábio Jerónimo assegura que este era para ser um fim de semana igual a outros que se costumavam organizar, «pelo menos uma vez por ano».

«Podiam participar todos os trajados», contou, em declarações citadas esta quarta-feira pelo jornal «Público».

O jovem garante que nada teve a ver com a organização deste fim de semana e afirma que, desta vez, só sete alunos participaram na iniciativa. «Houve três pessoas que não puderam ir», explica.

Fábio Jerónimo tem sido apontado como o atual responsável pelo COPA, mas, também em declarações citadas pelo «Público» diz já nada ter a ver com este organismo. E sublinha que «o COPA agora não tem responsável».

Casa limpa e pertences arrumados

Os familiares das seis vítimas mortais continuam a exigir explicações sobre a noite em que morreram seis estudantes na praia do Moinho, no Meco. Querem que alguém lhes explique se o incidente se ficou a dever a uma praxe que correu mal ou não. Dão um prazo até amanhã para obter respostas e, caso não as obtenham, ameaçam com outras medidas, que podem passar por iniciativas jurídicas ou a divulgação de novas informações.

Entretanto, outros pormenores vão sendo conhecidos à medida que os dias vão passando. Etelvina Fonseca, a mulher que estava responsável pela limpeza da moradia alugada pelos estudantes. É ela também que costuma receber os hóspedes quando a moradia é alugada. Desta vez, não foi ela que os recebeu. Voltou à casa a 09 de Janeiro. Apesar de nunca ter recebido instruções da polícia nesse sentido, achou que devia deixar passar um tempo até mexer nas coisas. Encontrou a casa limpa, as camas feitas e o frigorífico vazio: «nem uma garrafa de água».

Ao «Público», Etelvina diz que alguém lhe ligou a pedir que procurasse uma colher de pau que tinha ficado esquecida. Estava atrás de uma porta, como lhe tinha explicado a pessoa ao telefone. «Era uma colher do meu tamanho, com uma boneca pintada e dizia praxe», conta.

Uma das questões levantadas pelos familiares das vítimas prende-se com a limpeza da casa. O «Diário de Notícias» (DN) recorda que no domingo a seguir à tragédia, quando os familiares se dirigiram à moradia, já encontraram os pertences das vítimas arrumados. Quem o fez e quando são dados desconhecidos. Durante a tarde de domingo, vizinhos garantem ter visto duas pessoas dentro de casa, onde se mantiveram várias horas.

Não compraram álcool

O dono do minimercado de Aiana de Cima conta também que dois dos estudantes, trajados, fizeram compras no estabelecimento, no sábado, à hora de almoço. Não se lembra bem do que levaram, mas garante que não compraram álcool.

O processo de averiguação das causas da morte dos seis jovens foi, esta terça-feira, avocado pelo procurador da República coordenador de Almada, que impôs segredo de justiça à investigação. O processo estava entregue à Polícia Marítima, mas passou para a alçada da Polícia Judiciária.

Os mistérios sobre aquela noite só poderão ser esclarecidos pelo sobrevivente, João Gouveia, que tem estado remetido ao silêncio. Uma fonte próxima do jovem garantiu ao DN que João Gouveia já terá manifestado «disponibilidade e interesse» em prestar declarações. Apesar de não haver indícios de crime, deve mesmo ser ouvido pela Polícia Judiciária, na qualidade de testemunha.

Para esta terça-feira, estava, aliás, marcada uma inquirição do jovem na Polícia Marítima. Mas, de acordo com a imprensa desta quarta-feira, terá faltado por ainda não se encontrar em condições psicológicas para prestar declarações.