Notícia atualizada às 13:45

Maria Velho da Costa, distinguida esta segunda-feira com o Prémio Vida Literária pela Associação Portuguesa de Escritores (APE), tem «uma obra que revela um poder de criatividade e inovação porventura incomparáveis», disse o presidente desta instituição.

José Manuel Mendes, presidente da APE, realçou que a escolha da autora de «Casas Pardas» foi unânime e «assim se junta a um elenco de prestígio» que conta com nomes como Miguel Torga, Eugénio de Andrade e Sophia de Mello Breyner Andresen.

Maria Velho da Costa, de 75 anos, tem «um percurso literário e pessoal de invulgar dimensão», sendo uma «personalidade maior da vida de literária do país», salientou José Manuel Mendes.

Referindo-se à bibliografia da escritora, o presidente da APE afirmou que «em toda a sua diversidade nos dá conta de uma relação muito peculiar com a Língua Portuguesa, o trabalho da língua, a oficina e a construção naquilo que é algo, que é particularmente inconfundível na Língua Portuguesa».

Maria Velho da Costa foi, até hoje, a única mulher que presidiu à direção da APE, cargo no qual sucedeu a José Gomes Ferreira, e dirigiu a revista literária Loreto de 1978 a 1988. Em 2002 recebeu o Prémio Camões, e tinha sido já distinguida com os prémios Cidade de Lisboa pelo romance «Casas Pardas», em 1977, D. Dinis, por «Lucialima», em 1983 e o Grande Prémio de Novela e Romance por «Irene ou o contrato social», em 2000.

Em 1994, Maria Velho da Costa recebeu o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco pela obra «Dores», em 1997 o Prémio Vergílio Ferreira, da Universidade de Évora, pelo conjunto da sua obra e em 2008 ganhou o Prémio Correntes d'Escritas-Casino da Póvoa pelo romance «Myra».

Maria Velho da Costa é uma das três autoras, ao lado de Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno, de «Novas Cartas Portuguesas» (1972), obra proibida pela Censura antes do 25 de Abril de 1974, e que lhes valeu a instauração e um processo que terminou em absolvição depois da revolução de abril que pôs fim ao Estado Novo.

José Manuel Mendes afirmou que de Maria Velho da Costa se espera «a continuação de um percurso iluminante»

O galardão é atribuído pela 12ª vez pela APE, tem o valor de 25 mil euros e será entregue à escritora «em data a anunciar».

Maria Velho da Costa estreou-se literariamente em 1966 com «Lugar Comum», ao qual e sucedeu, em 1969, «Maina Mendes».

Em junho de 2003, a autora de «Missa in Albis» recebeu o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e em abril de 2011 o de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.

Miguel Torga, José Saramago, Sophia de Mello Breyner Andresen, Óscar Lopes, José Cardoso Pires, Eugénio de Andrade, Urbano Tavares Rodrigues, Mário Cesariny, Vítor Aguiar e Siva, Maria Helena da Rocha Pereira e João Rui de Sousa são os outros distinguidos com o Prémio Vida Literária, que não era atribuído desde 1990.