Notícia atualizada às 17:37

Durante a noite estiveram mais de 300 pessoas à espera para serem vistas no hospital Garcia de Orta, em Almada, segundo apurou a TVI. A espera chegou, em alguns casos, a mais de 15 horas.

A TVI falou com uma doente que aguardava há «14 horas para ser atendida». Após a triagem, disseram à jovem «que não havia médicos».

Um outro utente mostrava-se indignado. A mãe, de 94 anos, e que deu entrada no hospital com falta de ar, «passou a noite toda sem ser atendida», apesar de ter sido transportada pelo INEM.

Sem tratamento médico, as justificações apresentadas a quem está doente são poucas ou mesmo nenhumas.

«Esta situação é um escândalo daquilo que estamos a passar neste país. Estão a dar cabo das pessoas. Matem-nos logo de uma vez», desabafava um utente.

A administração do Garcia de Orta recusou que se tenha vivido «caos na urgência» do hospital, considerando que «não se justifica o alarmismo que se está a criar» nos últimos dias quanto ao tempo de espera.

«Apesar do pico que ocorreu entre as 16 horas e as 21 horas [de sábado], em que a espera chegou a atingir um pouco mais de 7 horas, devido a um conjunto de situações graves, a situação nem de perto justifica que se fale em caos nas urgências», indica, em comunicado, a administração do hospital localizado em Almada, acrescentando que isso representa «diferenças obviamente abissais» face à informação divulgada nos últimos dias quer na comunicação social quer na sessão plenária da Assembleia da República.

A nota de imprensa refere mesmo que o tempo médio nas urgência, no sábado, nunca foi além de 1 hora e 10 minutos para os utentes a quem foi atribuída a cor laranja (considerados entre os mais graves) e 2 horas e 49 minutos para os de cor verde (menos graves), pelo que afirma que, apesar de poderem ocorrer picos de afluência à urgência, «não há qualquer motivo para alarme».

«A população utente do hospital pode estar tranquila e confiar no seu hospital, porque temos todas as condições para prestar um atendimento de qualidade», garante a administração do Garcia de Orta, que ainda assim aconselha os utentes a consultarem, em situações de menor gravidade, primeiro o médico de família antes de se dirigirem à urgência.

O Garcia de Orta diz ainda que tem vindo a tomar medidas para melhorar o serviço que presta aos utentes, destacando a contratação de médicos, o trabalho que está a desenvolver com os centros de saúde para que tenham uma consulta para doentes de menor gravidade que recorram à urgência e a criação de um hospital de dia polivalente, «que aumentará a capacidade de atendimento em cerca de 50 doentes por dia e que entrará em funcionamento durante o primeiro semestre deste ano».

O Hospital Garcia de Orta serve os cerca de 340 mil habitantes dos concelhos de Almada e Seixal, afirmando o comunicado que «em algumas valências a sua zona de influência extravasa largamente estes dois concelhos, estendendo-se a toda a Península de Setúbal».