O Dia Internacional da Mulher assinala-se este sábado em Portugal com iniciativas de norte a sul do país, numa altura em que aumentam as denúncias de violência doméstica e os apelos para combater a desigualdade salarial entre homens e mulheres.

Dados da Associação de Apoio à Vítima (APAV) indicam que, em 2013, foram registadas, em Portugal, 17.384 denúncias de violência doméstica, mais 414 face ao ano anterior.

Por outro lado, uma em cada três mulheres da União Europeia foi ou será vítima de, pelo menos, um episódio de abuso sexual, físico ou psicológico, sendo a média, em Portugal, um pouco menor: uma em cada quatro mulheres, segundo um estudo sobre violência do género da Agência para os Direitos Fundamentais.

No trabalho, as mulheres continuam a ganhar menos do que os homens e, para combater esta situação, o Governo português determinou que as empresas adotem «medidas específicas» para contrariar a desigualdade salarial, «penalizadora para as mulheres», e promover uma «efetiva igualdade de género».

Tal como no ano passado, as mulheres portuguesas continuam a ganhar em média menos 18% de remuneração de base que os homens, à semelhança do que se passa no resto da Europa, sendo que esta diferença salarial aumenta (21,9%) quando se calcula o ganho, segundo dados da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE).

Também a Comissão Europeia apelou na sexta-feira, aos Estados-Membros, que adotem medidas para aumentar a «transparência salarial» entre os homens e as mulheres, a fim de prevenir a disparidade dos salários, que permanece nos 16,4% na União Europeia.

A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, assinala o Dia Internacional da Mulher com um encontro com a comunidade portuguesa de Elizabeth, em New Jersey.

A data também é assinalada pelo Movimento Democrático de Mulheres, que promove iniciativas em todo o país, e, juntamente com a Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da União de Sindicatos de Lisboa, afeta à CGTP-IN, vai realizar uma estafeta pela igualdade.

A estafeta, que começa às 15:00 na zona do Príncipe Real e termina no Largo Camões, pretende chamar a atenção para a exploração e discriminação das mulheres trabalhadoras e pedir a efetivação dos direitos em igualdade, como conta a Lusa.

As mulheres no mundo

Perto de metade dos 230 milhões de migrantes são mulheres, impondo-se, por isso, que as necessidades deste «grupo tão grande e vulnerável» não sejam «ignoradas», apela a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

A propósito do Dia Internacional da Mulher, que hoje se assinala, o diretor-geral da OIM, William Lacy Swing, afirmou que é preciso ter em conta as «necessidades específicas» das mulheres migrantes, às quais a comunidade internacional não pode responder com «meras palavras».

A OIM recorda o compromisso internacional de «não deixar ninguém para trás» na fixação da agenda pós-Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, cujo prazo de concretização termina em 2015, sabendo-se já que os resultados ficaram aquém do estabelecido em 2000, data em que as metas foram fixadas pelas Nações Unidas.