Daniel Abreu, o menino de 18 meses que esteve desaparecido durante cerca de 65 horas foi encontrado acidentalmente ao fim da terceira noite ao relento.

Ninguém sabe ao certo o que aconteceu. Mas a dúvida de como é que a criança sobreviveu durante estes dias frios e húmidos persiste. Segundo o diretor de Neonatologia do Hospital do Funchal, José Luís Nunes, «as crianças têm muita resistência, mas sem comer e ao frio seria extremamente difícil».

Mas o facto é que Daniel sobreviveu e isso pode dever-se ao instinto nato. «O Ser Humano tem uma capacidade de sobrevivência de facto incalculável isto resulta de, durante centena de milhares de anos, o ser humano ter vivido em condições muito adversas e ter instintivamente procurado condições de vida melhores», explicou Mário Cordeiro, médico pediatra, à TVI.

A criança foi encontrada molhada, com frio e fome e com a mesma roupa com que desapareceu, assim como, com a chupeta. Uma criança em circunstâncias tão adversas com temperaturas próximas do zero poderia sobreviver? «Uma criança tenderia, mal anoitecesse, a proteger-se e a não continuar a andar evitando esses perigos, deslocando-se quando houvesse luz e a conseguir um sítio, mais ou menos abrigado. Poderia também ter ido procurar fontes de água, quer em plantas ou mesmo água corrente, caso houvesse. E conseguir comer plantas, raízes, frutas ou outras coisas que encontrasse», relatou o médico especialista.

As últimas diligências efectuadas pela Policia Judicária (PJ) na Madeira indicam que podemos estar perante um crime de rapto, mas «continuam em aberto todas as possibilidades. A PJ vai continuar a investigar enquanto não estiver resolvido este caso», disse Eduardo Nunes.

Daniel foi dado como desaparecido desde a tarde de domingo quando se encontrava em casa do tio, localizada no sítio dos Reis Acima, na zona alta do concelho da Calheta. Foi encontrado na manhã desta quarta-feira por um levadeiro entre as 07:00 e as 08:00. A Polícia Florestal já tinha estado na zona e «o menino não estava lá».