Notícia atualizada às 19:27

O Governo está a avaliar de que forma poderá prestar apoio jurídico ao casal português detido esta sexta-feira de manhã por suspeita de conspiração para raptar os filhos, disse à Lusa o secretário de Estado das Comunidades.

José Cesário adiantou que o cônsul português em Inglaterra vai deslocar-se ainda esta sexta-feira a Grantham, onde o casal se encontra detido, para tentar chegar à fala com os emigrantes portugueses ou com a polícia.

Carla e José Pedro, que emigraram para o Reino Unido em 2003, foram detidos às 07:00. Os seus cinco filhos, de dois, quatro, sete, 10 e 12 anos estão à guarda dos serviços sociais da localidade de Grantham desde abril do ano passado, que alegaram que os menores teriam sofrido maus tratos físicos.

Fonte da polícia do condado de Lincolnshire, no leste de Inglaterra, adiantou à Lusa que foram detidas outras duas pessoas, cuja nacionalidade não revelou, por «suspeita de conspirar para raptar um número de crianças identificadas que estão atualmente sob os cuidados da autoridade local».

«O cônsul recebeu uma orientação minha para se deslocar a Grantham, onde deve chegar pelas 19:30» (mesma hora em Lisboa), disse à Lusa o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário.

O governante revelou que o cônsul já contactou telefonicamente o responsável da polícia, que «não deu muitas explicações», apenas dando «a entender que o casal tinha desrespeitado determinações do tribunal», mas desconhecem-se quais.

Questionado pela Lusa sobre de que forma o Governo poderá apoiar o casal, José Cesário disse ter pedido à embaixada portuguesa em Inglaterra para «verificar de que forma é possível conceder apoio jurídico».

O secretário de Estado disse ter conhecimento da existência de «muitíssimas famílias que têm sido atingidas por este tipo de decisões» das autoridades inglesas, mas este é o primeiro caso a envolver portugueses.

«Há mesmo processos abertos contra a justiça inglesa no tribunal europeu», exemplificou.

José Cesário referiu que as autoridades inglesas são «muito rápidas e eficazes» a atuar.

«O princípio do tribunal de família, em Inglaterra, é a proteção do menor», que são retirados «à mínima suspeita de maus tratos ou de alguma situação que perturbe emocionalmente a criança».

«Atuam justamente e provavelmente, muitas vezes, injustamente», comentou José Cesário.

O governante referiu ainda que «um bofetão ou um puxão de orelhas é um crime público» naquele país, o que pode «criar problemas a famílias estrangeiras que não têm esta cultura e não sabem».

A notícia da prisão dos portugueses foi avançada na página de Internet que o casal criou por Sabine McNeill, uma ativista da organização de apoio jurídico Association of McKenzie Friends.

«Recebi um telefonema esta manhã da polícia, porque eles lhes deram o meu contacto, a perguntar se eu podia representá-los juridicamente, mas eu respondi que nós só prestamos aconselhamento», disse à agência Lusa.

A polícia britânica tem agora 24 horas para interrogar os detidos, o qual pode ser estendido, antes de serem acusados formalmente e presentes a tribunal.

O caso da família portuguesa tornou-se mediático nos últimos dias, no âmbito da campanha para tentarem reaver as crianças e evitar que as duas mais novas sejam entregues para adoção.