As administrações regionais de Saúde alertaram os serviços de medicina de viajantes e hospitalares para estarem atentos a uma possível entrada no país de casos suspeitos de ébola, disse à agência Lusa a subdiretora-geral de Saúde, Graça Freitas.

«Por precaução, ontem [segunda-feira] avisámos todas as administrações regionais de Saúde e as autoridades de saúde das regiões, incluindo as autónomas, para que informassem os nossos serviços quer de viajantes (para quem vai viajar e saber o que pode acontecer) quer os urgentes e para estarem atentos», disse à Lusa Graça Freitas.

Os serviços de saúde da Libéria indicaram na segunda-feira a existência de seis casos suspeitos de ébola, que provocaram a morte a cinco pessoas, e 87 casos foram detetados na Guiné Conacri.

Em declarações à Lusa, a subdiretora-geral de saúde disse que os serviços vão estar atentos a pessoas que cheguem de países em que foram registados casos da doença e à sintomatologia para que possa ser feito um diagnóstico.

A subdiretora-geral de Saúde adiantou que já foi feita uma avaliação do risco de disseminação da doença na União Europeia pelo centro de controlo e doenças europeu (ECDC), em que o risco de importação de casos e de disseminação de doença é considerado baixo, em função das características da doença e da população afetada.

«As consultas de viajantes foram avisadas. Quem sai tem de saber que vai para uma zona onde há esse risco, e que se transmite através do contacto com fluídos, como o sangue ou secreções de doentes», alertou.

De acordo com Graça Freitas, as pessoas que vão viajar para países onde existem focos devem tomar precauções no contato com as populações locais e quando regressarem e, se tiverem sintomas nos dias a seguir, devem informar as autoridades para que possa ser feito diagnóstico e se evite o contágio.

«Os sintomas podem ser apenas de febre e mau estar, uma espécie de gripe que depois evolui para situações hemorrágicas e que podem confundidas com outras doenças e cuja taxa de mortalidade é elevada», adiantou.

Graça Freitas lembrou que a epidemia está a ocorrer na Guiné Conacri, apesar de haver um caso assinalado de uma pessoa que apresenta os sintomas de febre hemorrágica, que foi hospitalizada no Canadá depois de ter regressado da África Ocidental.

A responsável disse que o Centro Europeu de Controlo de Doenças fez uma avaliação do risco de exportação, que é considerado relativamente pequeno.

«Estão a ser tomadas medidas de precaução pelas autoridades sanitárias dos países. Quando há uma epidemia deste tipo tomam-se mais medidas para quem sai do país do que para quem entra», explicou.

Graça Freitas realçou que o centro de controlo e doenças europeu avaliou os riscos com base na mobilidade das pessoas, da capacidade das pessoas de se moverem de um lado para o outro, e em função do modo de transmissão da doença.

«Felizmente, doenças como o ébola não são de contágio simples. Não se contagiam pelo ar, mas através do contacto com sangue ou secreções dos infetados. Assim, apesar de já ter acontecido no passado, o risco de exportação não é grande», disse.