Os casos de violência física extrema homofóbica ou transfóbica detetados em 2013 pelo Observatório da Discriminação da ILGA foram levados a cabo sobretudo por jovens adolescentes, com idades entre os 16 e os 18 anos, revela o primeiro relatório.

O Observatório da Discriminação em função da Orientação Sexual e Identidade de Género é uma iniciativa da associação ILGA Portugal com vista a monitorizar e denunciar crimes e incidentes motivados pelo ódio contra pessoas homossexuais, bissexuais ou transgénero.

Os dados deste primeiro relatório, a que a Lusa teve acesso, mostram que houve 37 denúncias qualificadas como violência física extrema.

Dentro destas 37 situações, 54% eram relativas a violência física, 24% a assédio sexual, 11% a violação, 5% a outro tipo de assédio sexual, enquanto 3% tinham a ver com ferimentos com arma e os restantes 3% foram relativos a tentativas de homicídio.

A maioria dos casos de violência extrema reportados ocorreu em Lisboa e arredores, durante a tarde ou noite e em espaço público (24%), na escola (19%) e em casa (11%).

¿Relativamente à caraterização da pessoa agressora, trata-se de uma pessoa em nome individual que atua em grupo (49%), geralmente desconhecida da vítima e com uma idade entre os 16 e os 18 anos (24%) ou os 25 e os 40 anos (22%) ¿, lê-se no documento.

Já em relação à vítima, os dados do Observatório mostram que são maioritariamente mulheres (54%) com uma média de idades entre os 14 e os 20 anos.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da ILGA Portugal apontou que a juventude atual «é claramente ensinada a ser homofóbica e transfóbica» e lembrou o «caso marcante» que foi a morte da transexual Gisberta.

«'Temos uma lei relativa à educação sexual que menciona a necessidade de abordar as diversas orientações sexuais, mas na realidade isso não acontece na maior parte das escolas do país», apontou Paulo Corte-Real.

Nesse sentido, o dirigente da ILGA defendeu que tem de haver uma mobilização muito generalizada de toda a sociedade contra este tipo de visão e pediu uma campanha de sensibilização dirigidas sobretudo às escolas.

«Para garantir a educação para a cidadania e para os direitos humanos e a educação contra a discriminação, nomeadamente em função da orientação sexual e da identidade de género», sustentou.

Paulo Corte-Real realçou que isso implica uma participação de todas as escolas e não só de algumas e que esse trabalho tem de ter caráter de urgência.

Ainda em relação às vítimas de violência física extrema, a maioria (65%) não procurou qualquer tipo de apoio (médico ou psicológico), mesmo tendo sofrido ferimentos e apesar de admitir que o crime e/ou o incidente de que foi vítima teve um impacto negativo na sua vida pessoal ou social.

Também não apresentaram queixa junto das forças de segurança competentes.

«Em mais de 70% dos casos denunciados estava mais do que uma testemunha presente, mas ninguém reagiu», aponta o relatório.

A 17 de maio assinala-se o Dia Internacional de Luta contra a Homofobia, recorda a Lusa.