Há 260 médicos que acumulam dois contratos no hospital Fernando da Fonseca, mais conhecido como Amadora-Sintra, numa situação que vem do tempo em que o hospital era uma parceria público-privada, mas que se tornou ilegal a partir de 2011.

Ou seja, os clínicos fazem parte dos quadros da unidade de saúde e ganham pelas horas extraordinárias ao abrigo dos contratos com empresas de prestação de serviços. Na prática, recebem duas vezes do mesmo hospital, como explica o «DN» na sua edição desta quinta-feira.

O diário também refere que já foram 419 os médicos nesta situação, mas «o hospital tem vindo a acabar com esses contratos», de acordo com os esclarecimentos do gabinete de imprensa do Fernando da Fonseca ao «DN».

O mesmo gabinete acrescente que «no último mês rescindimos 60 contratos com médicos que não faziam trabalho complementar há mais de um ano» e que justificaram ao Ministério da Saúde e ao Tribunal de Contas que «não seria possível terminar com os contratos de imediato porque comprometeria o funcionamento do hospital».

O hospital Amadora-Sintra, nascido de uma parceria público-privada, passou depois a ter gestão pública, e, quando em 2011 saiu a legislação que proibia a acumulação de dois contratos no mesmo hospital, a unidade iniciou o processo para acabar com esses contratos, ainda que cerca de três anos depois ainda não tenha conseguido debelar o problema na totalidade.

Reagindo, a Ordem dos Médicos argumenta: «Não se percebe que se trabalhar numa clínica não é crime e se for no hospital é», refere o bastonário José Manuel Silva.