Os trabalhadores que estiveram expostos a amianto e tenham uma doença cancerígena podem processar a empresa. Rui Silva, o especialista que assinou o relatório sobre a existência de amianto na Direção-geral de Energia e Geologia, onde nove funcionários morreram com cancro, garante que há hospitais onde é evidente a presença deste material perigoso para a saúde.

«Encontrei amianto em hospitais, não posso dizer quais, e nunca foi feito levantamento aos hospitais. Foram feitas visitas prévias aos hospitais. Eu penso que por falta de meios financeiros, os hospitais nunca fizeram o levantamento, inclusive hospitais que já foram desmantelados e não sei qual o destino do amianto», afirma o especialista.

Em entrevista na TVI24, o engenheiro responsável pelo estudo sobre a existência de amianto em edifícios diz que já avaliou mais 14 edifícios desde novembro e vai fazer o mesmo a outros três.

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De acordo com o especialista, os trabalhadores afetados podem processar a entidade empregadora caso trabalhem em ambientes com amianto e até recusarem-se a ir trabalhar.

«O amianto é o maior tóxico cancerígeno no local de trabalho. Sendo uma doença com um período de latência muito grande, pode demorar 20 a 30 anos até aparecerem os primeiros sintomas, existem muitos casos em que as pessoas já morreram (...). As famílias, ao abrigo da lei podem interpor ações contra o Estado», sublinhou.

Depois do caso revelado a semana passada, o Governo pediu aos ministérios que tentem localizar a existência de amianto nos edifícios públicos. Pelo menos três ministérios já contrataram serviços externos para o fazer, de acordo com o que avançou o jornal «Diário de Notícias»

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