Pelo menos cinco grávidas dizem ter sido coagidas a abortar, por parte de técnicos de saúde, por serem portadoras do vírus da sida. Os dados são revelados por um estudo levado a cabo pela Stigma Index Portugal, que inquiriu 1062 portadores do vírus VIH/Sida e que revela dados preocupantes sobre a discriminação nos serviços de saúde.

De acordo com a mesma pesquisa, cujos dados são revelados esta quinta-feira pelo jornal «Público», 45 mulheres foram pressionadas para fazer uma esterilização e 84 foram aconselhadas a não ter filhos. Os dados preocupam o coordenador do estudo e diretor do Centro Antidiscriminação (CAD), Pedro Silvério Marques. «É mais grave porque os profissionais de saúde têm a obrigação de estar mais informados», alerta.

Além destes dados, o estudo revela ainda que 8,6% dos inquiridos dizem que lhes foram recusados alguns cuidados de saúde por terem o vírus da sida. Os locais onde foram realizadas as entrevistas foram hospitais e centros hospitalares de Lisboa, Porto, Setúbal e Faro.

A pesquisa incide ainda sobre a discriminação em estabelecimentos de ensino e locais de trabalho. A maior parte dos inquiridos que se queixam de algum tipo de discriminação decidiu não se queixar. «Preferiram calar-se, ou porque não acreditam no sistema ou porque não se querem expor mais», explica Pedro Silvério Marques.

Também preocupantes são os dados sobre discriminação no seio familiar e da comunidade. «Há pessoas que são postas na rua pela família, há familiares que se recusam a sentar à mesa [com infetados]», adianta Pedro Silvério Marques.

Por isso, o diretor do CAD defende melhorias na legislação antidiscriminação, incluindo um artigo sobre a discriminação em ambiente familiar ou social e abrindo a porta a transformar este crime num crime público, para que qualquer um possa denunciar situações de que tenha conhecimento ou que presencie.