Por Inês Almeida, estudante da pós-graduação ISCTE/MediaCapital

Desde o momento em que as redes sociais começaram a aparecer que o seu aproveitamento por parte do jornalismo era inevitável. Agora, essa utilização atingiu quase o seu exponente máximo. Já praticamente não existe a questão de um meio estar ou não nas redes sociais, mas antes como é que esses meios fazem a sua gestão das redes sociais para uma melhor promoção do seu trabalho e até do jornalismo em si.

O New York Times, um dos mais conceituados meios de comunicação a nível mundial, lançou um relatório denominado «Inovação», em que pretende mostrar de que forma podem trabalhar melhor as redes sociais.



A partilha de notícias no Facebook ou no Twitter é uma prática corrente para qualquer meio de comunicação mas o New York Times explica neste relatório que para chegar a um maior número de pessoas é preciso ir além da simples partilha de conteúdos, é preciso criar personalização.

A personalização de conteúdos pode ser feita de duas formas. Uma delas pode partir do próprio meio de comunicação. O segredo para chegar ao maior número de pessoas seria arranjar um algoritmo que perceba o que cada pessoa quer ler, quais os interesses de cada pessoa, da mesma forma que funciona, por exemplo, o google news. A partir de uma análise do género de artigos que cada pessoa normalmente lê são sugeridos novos artigos de acordo com o interesse de cada leitor.

A segunda forma de personalização parte dos utilizadores. O twitter, mais especificamente, o tweetdeck é também uma excelente forma de personalização de conteúdos. Neste caso, a personalização não parte de um algoritmo que calcula as preferências do leitor, mas parte do próprio utilizador.

O funcionamento é simples: o utilizador cria listas de interesses e através dessas listas, no tweetdeck, aparece-lhe tudo o que é publicado relacionado com essas temáticas.

Imaginemos que queremos ler algo sobre o Mundial de futebol. Criamos uma lista que inclui meios de comunicação brasileiros (que estão mais próximos dos acontecimentos do campeonato), vários jornais desportivos, contas de twitter de canais de televisão desportivos. Podem também ser adicionados jogadores, treinadores e outros protagonistas do futebol. O próximo passo é abrir a lista no tweetdeck e de cada vez que alguma dessas pessoas ou órgãos de comunicação escrever algo sobre o mundial é possível ver as informações de imediato.



No entanto, creio que ainda mais um passo poderia ser dado. É um passo mais complicado e demorado, provavelmente.



Eis o que eu sugeria: devia ser criada uma rede social com o propósito de partilhar trabalhos jornalísticos (da mesma forma que existe o flickr para as fotografias). Penso que seria interessante criar uma rede social que fosse uma mistura entre o narratively e o facebook ou twitter. Assim, a actualidade e a instantaneidade seriam critérios imprescindíveis proporcionados por características inerentes a uma plataforma como o twitter mas, ao mesmo tempo, haveria a possibilidade para a partilha e execução de trabalhos mais desenvolvidos como no Narratevily.

A meu ver, esta plataforma teria que surgir da comunidade jornalística mas eventualmente estender-se-ia a toda a gente e o acesso aos artigos seria mais directo visto que a plataforma estaria direccionada para a divulgação e talvez mesmo execução dos mesmos. O facebook é exemplo de uma rede criada para um meio fechado que se expandiu: nasceu como uma plataforma de comunicação entre os alunos de uma faculdade e depois teve uma grande expansão.

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