Por Catarina Rebelo de Sousa, estudante da pós-graduação em jornalismo ISCTE/MediaCapital

O futuro do Jornalismo ninguém consegue prever. Preparar as redações para a nova era digital é o desafio lançado a todos aqueles que não querem perder a corrida. Entrar ou não neste novo barco é uma opção de cada um. Mas não o fazer pode implicar deitar tudo a perder.



Foi a pensar nisto que o The New York Times (NYT) decidiu apanhar o barco, elaborando o relatório «Innovation» . Durante seis meses juntou saberes de todas as áreas, estudou a concorrência e as necessidades e os gostos dos leitores, uniu esforços transversais a todos os sectores da empresa e decidiu pôr mãos à obra. Tudo começou com esta simples premissa: A arte e a ciência de levar o nosso jornalismo até aos leitores. Como fazê-lo?

Depois de constatarem a realidade: os seus concorrentes mais diretos como o The Washington Post e o The Wall Street Journal estavam a anunciar jogadas agressivas para fazer face à nova era digital. O Look Media e o Vox Media criaram redações digitais. O Guardian e o USA Today tinham novas práticas para ajudar a crescer a comunidade de leitores.

E o NYT? Onde estava posicionado? Tinha diminuído significativamente, no último ano, o número de leitores tanto no site como nas aplicações móveis para o smartphone. Este constituía um sinal de preocupação extrema, dizem, numa plataforma em crescimento. Tinham e têm uma convicção: «A nossa missão continua a ser fazer o melhor jornalismo do mundo». Para isso, concluíram ser necessário agir no sentido de criar novas estratégias inteligentes para aumentar as audiências.

Focaram-se nas audiências digitais: leitores na web nos EUA e na plataforma mobile, alertas, Twitter, subscrições por email, Facebook e o poder dos feeds.

É preciso fazer crescer as audiências e, por isso, debruçaram-se num ponto-chave e crucial: os hábitos de consumo dos leitores, em constante mudança. «Como podemos ter a certeza de que as nossas notícias chegam até eles (leitores) nesta era digital?» As repostas encontradas foram três: melhorando as tecnologias - software e data base - para responder às necessidades dos leitores; promovendo as melhores práticas ao encorajar editores e jornalistas a fazer as melhores histórias e por último, aprofundar a ligação com os leitores através de eventos que reflitam os valores do NYT.

A realidade portuguesa

Estendendo este desafio global às redações portuguesas, em particular, é preciso pensar global e agir em mercados específicos. Isto é: dar às pessoas, às audiências aquilo que elas procuram. Ir ao encontro dos seus desejos e ansiedades não só pelo discurso negativo mas introduzir, aos poucos, um novo discurso: o positivo.



Ora, as nossas vidas já são tão duras e tristes que é urgente o jornalismo levar a alegria, o bem-estar às pessoas. Elas exigem-no. Precisam disso para não sufocar. Só assim as teremos como aliadas. Os nossos telejornais vão ao encontro da concorrência do que eles fizeram ou mostraram que nós não mostrámos e, por isso, deixámos de fazer. Como consequência perdemos a audiência, o share, os números do dia¿

Não! Nada disto! O jornalismo está a perder a sua essência. Está a materializar-se em números que se traduzem em pessoas. E isto é errado. Quando pensamos no jornalismo pensamos em pessoas, nas suas vidas, nas suas histórias¿ Isso é Jornalismo. As pessoas e o mundo têm muitas histórias por e para contar. Coisas que nos fazem sentir felizes e realizados. As pessoas estão a pedir isto agora e mais que nunca. E nós dar-lhe-emos isso mesmo.

Trabalhamos para as pessoas como seres humanos e indivíduos únicos. Não trabalhamos nem para máquinas nem para autómatos programados. Estamos onde as pessoas estão. Esqueçam os números. Foquem-se no essencial. O resto virá por acréscimo, acreditem.

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