O presidente da Câmara de Lisboa disse, esta quarta-feira, que a proposta da PSP para encerramentos de esquadras em Lisboa está a ser debatida entre as partes interessadas. António Costa adiantou que Alcântara, Carnide e Marvila são os casos mais complexos.



«A PSP apresentou um estudo de reforma do dispositivo territorial. Foi apreciado pela Câmara e com os presidentes das juntas de freguesia. Há alterações que são pacíficas, como a abertura da sede da 1ª divisão e da esquadra da Rua da Palma, onde podem ser incorporadas as esquadras da Mouraria e a das traseiras do teatro D. Maria II», indicou António Costa, citado pela Lusa.



De acordo com o autarca, também a esquadra do Terreiro do Paço pode ser encerrada com a abertura da esquadra da Rua da Prata.



O autarca admitiu, contudo, que há locais «mais complicados», como Alcântara, Carnide e Marvila, «onde na mesma freguesia existe mais do que uma esquadra, que tem a função de reforçar o sentimento de segurança de quem reside ou trabalha em alguns bairros municipais».



António Costa frisou que as partes interessadas têm estado a procurar soluções, afirmando que podem estar dependentes da capacidade do Governo de realizar investimentos.



De acordo com um projeto de reorganização do dispositivo policial em Lisboa entregue pela polícia à tutela, a PSP pretende fechar 11 esquadras na capital: Santa Marta, Boavista, Mouraria, Rato, Zona J de Chelas, Campolide, Quinta da Cabrinha, Arroios, Santa Apolónia e bairros Padre Cruz e Horta Nova, em Carnide.



A PSP pretende também abrir dois serviços de atendimento partilhado e de policiamento de proximidade.



Questionado sobre a Carris, o presidente disse ter sido contactado pelo secretário de Estado dos Transportes, com quem estabeleceu que seria suspensa qualquer alteração nas carreiras ou horários daquela empresa.



«Não faz sentido [alterações de carreiras e horários] enquanto não se discutir a alteração de fundo a fazer», disse o autarca referindo-se ao processo de concessão da empresa a privados.



Do lado da oposição, o vereador do PCP João Ferreira apresentou uma moção onde propunha que a câmara exigisse ao Governo que todas as decisões relativas aos transportes públicos sejam tomadas com as autarquias e manifestasse a sua oposição à concessão do Metropolitano de Lisboa e da Carris a privados.



António Costa propôs a João Ferreira adiar a votação desta moção até final das conversações que decorrem entre a câmara e o Ministério da Economia, o que o vereador comunista rejeitou.



A moção foi chumbada com os votos contra do PSD e do CDS-PP e a abstenção dos vereadores da maioria socialista.