A Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) precisou, esta sexta-feira, que vão ser atribuídas mais 306 bolsas de doutoramento e pós-doutoramento, no âmbito do concurso de 2013, contestado por candidatos, que se queixam de cortes significativos no apoio.

Segundo a FCT, vão ser concedidas mais 101 bolsas individuais de doutoramento e 205 de pós-doutoramento. O concurso encontra-se na fase em que os candidatos excluídos na avaliação regular podem contestar os resultados.

O presidente da FCT, Miguel Seabra, e a secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira, deram hoje uma conferência de imprensa no Ministério da Educação e Ciência, em Lisboa, na qual abordaram a questão das bolsas.

Numa «newsletter» publicada a 21 de fevereiro, no seu portal, a FCT, entidade pública que atribui apoio financeiro à investigação científica, anunciou a concessão de mais 300 a 350 bolsas de doutoramento e pós-doutoramento do concurso de 2013, dois dias depois de o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, ter anunciado o reforço de verbas para o setor.

O aumento de bolsas «deverá compreender aquelas que virem revertida a decisão de não financiamento, na sequência da audiência prévia», fase em que os candidatos excluídos podem contestar a avaliação dada, «e aquelas que vierem a ser financiadas em face das novas disponibilidades orçamentais» da Fundação, assinalava, então, a FCT na «newsletter».

De acordo com a FCT, o reforço de bolsas deve-se ao facto de o Ministério da Economia assumir parte da quota da participação portuguesa na Agência Espacial Europeia (ESA).

Contudo, mesmo com o reforço, o número de bolsas individuais de doutoramento e pós-doutoramento a conceder no concurso de 2013 totaliza menos do dobro das atribuídas no concurso de 2012, respetivamente 837 e 1.875.

Confrontada hoje, novamente, com os cortes nas bolsas individuais, a secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira, alegou que a redução começou a verificar-se em 2007 e «não foi acompanhada de mecanismos alternativos» de financiamento, que surgiram em 2013, como os programas doutorais, que «complementam a formação avançada».

A diminuição do número de bolsas individuais da FCT levou, em janeiro, uma semana depois da divulgação dos resultados do concurso de 2013, a comunidade científica, incluindo bolseiros, candidatos, docentes e investigadores, a saírem à rua, em Lisboa, em protesto, acusando o Governo de desinvestimento na ciência.

Leonor Parreira afirmou que o Governo é sensível «às preocupações das pessoas», mas invocou que «a melhor maneira de garantir a qualidade e a competitividade» da ciência é com «a articulação de dois instrumentos» - bolsas individuais e financiamento de unidades de investigação e desenvolvimento.

Em fevereiro, dois dias antes de a FCT publicar a «newsletter» no seu portal, o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, anunciara, em entrevista conjunta à Rádio Renascença e ao Jornal de Negócios, um reforço de verbas para a ciência - um total de 12 milhões de euros para bolsas e projetos de investigação, provenientes de montantes comunitários e de outros já previstos.

A Associação de Bolseiros de Investigação Científica, que organizou em janeiro o protesto contra o corte nas bolsas, considerou as declarações do ministro como uma reposição de montantes retirados que «nem tapam o buraco do ano passado».