O presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve considerou terça-feira que a falta de meios humanos nos serviços de Saúde da região, em particular nos Serviços de Urgência Básica, é «calamitosa» e «prejudica gravemente» a imagem do destino turístico.

Jorge Botelho reagiu assim à posição manifestada hoje pelo Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, numa conferência de imprensa, em Lisboa, na qual estimou que faltem no Algarve mais de 250 clínicos e traçou um «quadro negro» nos Serviços de Urgência Básica (SUB) da região, cuja população triplica no verão.

A falta de meios humanos nas urgências é um problema que está identificado pela Administração Regional de Saúde (ARS) e pelo Centro Hospitalar do Algarve (CHA), mas os dois organismos tutelados pelo Ministério da Saúde continuam a divergir sobre quem tem a responsabilidade de garantir o funcionamento dos SUB.

«É um lamentável jogo do empurra, que nunca aconteceu como até agora. Nunca chegámos a um nível de degradação dos serviços públicos como está a acontecer, com aparentemente uma discussão de quem é que tem competências sobre quê de dois serviços da Saúde, a ARS e o CHA, que não se entendem e os utentes, que pagam impostos e taxas e têm direito à Saúde, estão a ser penalizados, nomeadamente com os encerramentos e falhas de serviço que estão a acontecer», criticou Jorge Botelho.

O representante institucional dos 16 municípios algarvios considerou que esta indefinição está a «prejudicar gravemente os utentes do Algarve, gravemente os utentes dos SUB, que não têm condições para funcionar», e está «a dar uma péssima e lamentável imagem dos serviços públicos, que não abona a favor de ninguém».

«Se a ARS e o CHA não conseguem entender-se, então o senhor ministro ou o senhor secretário de Estado que ponham ordem na casa, porque o que está a acontecer é lamentável e mau demais para ser verdade», disse ainda Jorge Botelho, também presidente da Câmara de Tavira.

O autarca considerou necessário «tomar medidas, porque a situação está-se a tornar insustentável».

«Como dizem os técnicos e as pessoas responsáveis no setor da Saúde, ainda não começou o verão e já estamos numa situação calamitosa ao nível do funcionamento dos vários serviços. Já é falta de médicos, de programação de concursos que não se fizeram, já é o retardamento de entradas de profissionais, falta de meios, falta de condições que os próprios técnicos têm para funcionar», apontou Jorge Botelho.

O presidente da AMAL frisou que a este diagnóstico vem somar-se, «ainda por cima, um desentendimento funcional sobre quem tem competência sobre quê, na praça pública, com toda a gente a enjeitar responsabilidades».

«Isso é que não pode acontecer. No setor da Saúde nunca pode acontecer, porque esse é o primeiro serviço básico das pessoas quando têm uma dificuldade. Sempre houve dificuldades, mas isto nunca esteve ao nível em que está agora. Por isso alguém tem que pôr ordem na casa, porque o que se está a passar no Algarve é verdadeiramente calamitoso e está a afetar gravemente a imagem» da região, lamentou ainda Jorge Botelho.