O presidente da Câmara de Vila Real de Santo António alertou hoje para a alegada «falta de cobertura» do INEM no Algarve, após uma munícipe com princípio de Acidente Vascular Cerebral (AVC) não ter recebido assistência.

Luís Gomes (PSD) disse à agência Lusa que este foi um dos dois casos que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) não transportou na sexta-feira, sendo o outro o de uma mulher grávida que estava em Monte Gordo e precisava de ir ao Serviço de Urgência Básica de Vila Real de Santo António.

«São episódios que mexem com a vida das pessoas e não podem acontecer», afirmou o autarca, considerando que o «pecado na origem destes problemas foi a centralização dos serviços do INEM em Lisboa».

Luís Gomes recordou que «há dois anos o INEM tinha uma estrutura regional, com um diretor que dava a cara», mas agora os serviços estão concentrados em Lisboa e afastados da realidade local.

O autarca deu ainda como exemplo outro caso passado em Tavira, na freguesia serrana de Cachopo, onde «uma pessoa necessitou dos serviços do INEM» e a ambulância que «foi dar assistência teve como origem Mértola».

«Por aí percebemos como vai a organização do serviço, porque foi de Mértola a Cachopo apanhar a pessoa e depois foi para Vila Real de Santo António», para o Serviço de Urgência Básica, afirmou, frisando que este é «um grito de alerta para situações que não podem acontecer na saúde».

O INEM «diz que a cobertura no Algarve está acima do resto do país, mas não consigo aferir esse dados», disse o autarca, questionado sobre o que considera faltar para o serviço ter capacidade de resposta.

Luís Gomes disse esperar que estes casos sirvam de lição para não se registarem outras situações idênticas, sobretudo num período em que o Algarve está com muitos visitantes e em que incidente deste tipo pode «trazer graves prejuízos para a principal região turística do país».

A Lusa confrontou o INEM com as críticas do autarca, mas não obteve qualquer resposta até às 17:00.