Os dois novos médicos anunciados para o Centro de Saúde de Mozelos, na Feira, não entraram esta segunda-feira ao serviço, o que motivou o protesto dos cerca de 100 populares que aí se encontravam para se certificarem da sua chegada.

As críticas ao funcionamento da unidade arrastam-se há dois anos e tiveram o seu ponto alto durante a manifestação da semana passada, em que a população criticou que só haja um médico para os cerca de 5.000 utentes da freguesia.

A acusação é da porta-voz dos manifestantes, Maria Ribeiro, que realça que esse médico e ex-autarca, Jorge Ferreira, «até ia hoje de férias sem se preocupar com ninguém e só ficou a trabalhar porque o atual presidente da Junta lhe pediu para ficar».

«Estes médicos não são humanos», defende a protestante. «Não têm amor ao próximo, só pensam em política e em dinheiro, e deixam-nos nesta agonia, sem se preocuparem com ninguém», acrescenta.

As situações que motivam críticas ao médico são várias. Irene Amorim conta que já teve duas tromboses e precisa de fisioterapia à coluna, mas continua sem tratamentos marcados e, quando disse ao médico que a medicação receitada pelo hospital lhe estava a fazer mal, «ele não quis saber».

Lúcia Ribeiro, por sua vez, relata o caso de um utente que, precisando de medicação urgente para as dores na coluna e não a obtendo no centro de saúde, «chegou a um ponto em que já não aguentava mais, teve que dar 50 euros para comprar o medicamento na farmácia sem receita e agora anda a viver de esmola».

Ana Paula Pereira tem cancro da mama, diabetes também e diz: «Estou há oito dias sem tomar medicação porque ninguém ma passa. Como é que o médico passa receita a um e não passa aos outros?».

Olinda Castro teve um AVC há 13 anos, está com o colesterol em 270, tem 70% da veia carótida obstruída e precisava de lhe fazer o exame anual em maio, mas continua à espera da credencial para o realizar a um laboratório próprio. «Estou desempregada e não posso pagar o exame por fora», revela. «Portanto um dia destes morro e pronto! Sou mais uma», desabafa.

Alzira Santos defende que todo o comportamento do médico é «uma vergonha». «Basta ver o horário de trabalho dele no computador e vê-se que ele não faz sequer oito horas por semana», afirma. «Chega às 08:00, às 09:00 vai-se embora para trabalhar nas fábricas e não atende ninguém só porque não quer», garante à Lusa,

«Foi ele o culpado disto tudo e anda a ver se nos obriga a ir para a clínica dele», acrescenta a mesma utente.

Contactado pela Lusa através da rececionista do Centro de Saúde, Jorge Ferreira mandou dizer que «não tem nada a declarar».