Os diretores escolares consideram que a limitação de acesso a redes sociais nas escolas poderá ser vantajoso, uma vez que muitos alunos utilizavam o Facebook durante as aulas, gerando indisciplina na sala.

No final da semana passada, as escolas receberam um e-mail da Direção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) anunciando que o acesso a determinadas redes sociais e aplicações, tais como o Youtube, passava a estar «limitado a uma utilização máxima», ou o Facebook, Instagram e Tumblr, que ficariam indisponíveis durante toda a manhã até às 13:30 e depois do almoço teriam também um «limite de utilização máxima».

A entidade que gere a rede nas escolas tomou esta decisão na sequência de vários ataques informáticos registados desde o início do ano, que provocaram uma deterioração da qualidade de acesso à Internet, de acordo com o e-mail da DGEEC a que a Lusa teve acesso.

A decisão da DGEEC não preocupou muito os diretores das escolas, que acreditam que as limitações não irão prejudicar a qualidade de ensino e que, sem querer, até poderão ser «vantajosas» para o normal funcionamento das aulas.

«O Facebook e outras redes sociais são prejudicais para cadeiras específicas, onde também se usam as novas tecnologias e os computadores, como é o caso da Matemática, Português, Inglês ou História. Os professores queixam-se muito que os seus alunos vão, às escondidas, para o Facebook, o que gera indisciplina durante a aula. É aquela malandrice própria dos jovens», contou à Lusa o vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima.

O representante dos diretores escolares sublinha que, «de uma forma geral, as redes sociais não são importantes para as disciplinas centrais», mas que ainda é preciso perceber o real impacto da medida na cadeira de TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação).

«Quando recebemos a informação (da DGEEC) falei com o nosso professor de informática, que não se mostrou minimamente preocupado com a medida porque as matérias de informática não passam por aqui», afirmou Filinto Lima, dizendo, no entanto, que os diretores escolares vão avaliar o impacto da medida.

Questionado pela Lusa sobre a decisão de limitar aquelas redes e aplicações, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) explicou que a DGEEC «verificou que a pressão sobre a rede decorria do acesso a determinados sites/aplicações que não são essenciais ao funcionamento das escolas e das atividades letivas».

O MEC acredita que com esta limitação estão garantidas «as condições para o normal funcionamento da internet das escolas, quer para atividades letivas, quer para os serviços administrativos e similares».

Sobre eventuais poupanças que a redução de acesso à internet pudesse representar, o MEC garantiu à Lusa que «a limitação não representa qualquer poupança para o Ministério, nem qualquer ganho para a Portugal Telecom», a entidade que neste momento fornece o serviço.

«Quando a PT começou a fornecer o serviço, em 2008, a largura de rede era de 1Gb. Atualmente é de 6GbA», segundo informações do MEC. De acordo com a DGEEC, em breve haverá uma quase duplicação da largura da banda larga atualmente disponível.