As profissões da educação foram este ano menos atrativas para os candidatos a um lugar no ensino superior, com menos 300 alunos do que em 2012 a manifestar como primeira preferência a entrada num curso desta área.

De acordo com os dados divulgados pela Direção Geral do Ensino Superior (DGES), relativo ao concurso de acesso ao ensino superior em 1.ª fase, a área de estudos da formação de professores e ciências da educação, que sofreu em 2013 uma redução do número de vagas na ordem dos 16% (1.227 lugares disponíveis), teve 685 alunos a manifestar como preferência em 1.ª opção a entrada num dos vários cursos disponíveis, e um total de 813 colocados.

Em 2012, para as 1.468 vagas abertas, houve 988 candidatos em 1.ª opção a estes cursos e 1.086 colocados.

Apesar de o número de vagas sobrantes nos dois anos rondar valores próximos dos 400, a taxa de ocupação de vagas na 1.ª fase sofreu uma redução de quase 10%, baixando dos 74% de 2012 para os 66% em 2013.

A formação de professores e ciências da educação foram uma das áreas de estudo que sofreu este ano uma redução de vagas no sistema de ensino superior público, depois de o Governo ter procedido a uma reorientação da oferta com base em vários critérios, entre os quais a procura dos cursos e a sua empregabilidade.

O Ministério da Educação e Ciência (MEC) tem vindo a assumir a intenção de progressivamente retirar professores do sistema de ensino nacional, justificando a decisão com a necessidade de adequar o número de docentes à quebra esperada no número de alunos.

Os dados divulgados pela DGES indicam também que as áreas de estudo das ciências empresariais, engenharias, ciências sociais, artes e saúde são aquelas que maior número de vagas apresentaram a concurso, à semelhança do que já tinha acontecido em 2012.

No caso das engenharias, por exemplo, uma das áreas nas quais o MEC pretendia reforçar a oferta, e que teve este ano um aumento no número de vagas em cerca de 100 lugares, para as 9.022 vagas disponíveis houve apenas 5.904 alunos a manifestarem como principal preferência a colocação num dos vários cursos disponíveis, e apenas 5.596 conseguiram uma colocação.

Estes números traduzem-se numa taxa de ocupação de vagas em 1.ª fase de 62% (menos 6% do que em 2012) e num total de 3.431 vagas sobrantes (contra 2.897 lugares deixados vagos em 2012), sendo, desta forma, a área de estudos com maior número de lugares por ocupar no final da 1.ª fase de colocações.

Saúde e Ciências da Vida, áreas de estudo sempre muito procuradas, mas com níveis de desemprego em crescimento em Portugal, sobretudo na área de enfermagem, cada vez mais virada para a emigração, continuam a ter taxas de ocupação de vagas em 1.ª fase superiores a 90%, ainda que se tenha reduzido o número de alunos que procuram os cursos destas áreas em 1.ª opção.

Ciências Sociais e Informação e Jornalismo, áreas também com níveis de desemprego crescente, apresentaram este ano, à semelhança de 2012, níveis de procura superiores à oferta e uma taxa de ocupação de vagas também superior a 90%.

Agricultura, Silvicultura e Pescas é a área de estudos com menos procura em 1.ª opção, com apenas 19% dos candidatos colocados a terem manifestado como principal preferência a entrada num dos cursos disponíveis.

Ainda que nos últimos meses o Governo e o próprio Presidente da República tenham apelado a um regresso dos mais jovens à agricultura, das 841 vagas disponíveis apenas 196 foram preenchidas, o que se traduz numa taxa de ocupação de 23%.

Os números de acesso à primeira fase do concurso estão disponíveis na página de Internet da DGES, em http://www.dges.mctes.pt.