O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas afirmou que há «contactos pontuais» para o gabinete de emergência consular de cidadãos nacionais sobre a situação da epidemia ébola nos países afetados.

«Tem havido contactos pontuais de pessoas que procuram saber informações sobre a situação local. São pessoas que ou foram ou estão interessadas em ir para alguns desses países e que estão a tentar saber o que é expectável, aquilo com que podem contar», disse à agência Lusa José Cesário, repetindo que o Governo desde abril não recomenda viagens para aquela região da África Ocidental.

Segundo o governante, «as comunidades (portuguesas) residentes nesses países são muitíssimo pequenas, (...) praticamente insignificantes».

«Temos nota de 66 inscritos na Nigéria, 22 ou 23 na Guiné Conacri e até há poucos dias não tínhamos um único [português] registado nem na Libéria, nem na Serra Leoa», adiantou, notando que, entretanto, soube-se que havia cidadãos nacionais nestes dois países.

O secretário de Estado referiu que «uma grande parte dessas pessoas - se não todas - terão regressado».

«Em qualquer caso, as nossas embaixadas em Abuja [Nigéria] e em Dakar [Senegal] estão a acompanhar a situação, atentas e disponíveis para aquilo que se passa, e, sobretudo, o gabinete de emergência consular tem números permanentes, 24 horas por dia, que estão disponíveis para as pessoas poderem recorrer a eles no caso de haver uma situação de real emergência», acrescentou.

José Cesário reiterou, contudo, que as pessoas, «tanto quanto possível, numa primeira fase recorram às autoridades sanitárias locais».

O governante considerou que esta «é uma situação muito complicada que tem vindo a evoluir de forma que não é positiva», manifestando o desejo de que «as organizações internacionais articuladamente com as autoridades sanitárias locais possam vir a encontrar soluções científicas, médicas, para o problema».

Em cinco meses, a epidemia de Ébola na África ocidental, a pior desde a descoberta da doença em 1976, causou 1.145 mortes, de acordo com o último relatório da Organização Mundial de Saúde de 13 de agosto: 380 na Guiné Conacri, 413 na Libéria, 348 na Serra Leoa e quatro na Nigéria.

No início do mês, o Governo advertiu que os portugueses que se encontrem nos países afetados pelo vírus Ébola devem contactar o gabinete de emergência consular, em caso de «problema grave», e podem recorrer a embaixadas de países da União Europeia.

Em caso de «problema grave, que justifique uma emergência, os portugueses devem contactar o gabinete de emergência consular», através dos números de telefone 707202000 ou 961706472 ou pelo endereço eletrónico gab.emergencia@mne.pt.

Questionado sobre a eventualidade de a entrada de imigrantes ilegais poder colocar em causa a proteção sanitária do continente europeu, José Cesário esclareceu que esta questão «está a ser acompanhada pelo Ministério da Saúde articuladamente com as autoridades sanitárias europeias e há orientações sobre isso», notando existir «um rigor muito grande no controlo de fronteiras».

«Por isso estamos o mais descansados que é possível estar», referiu.