Já se trata da pior epidemia de ébola de sempre e está a alastrar-se pela África ocidental. O último balanço da Organização Mundial de Saúde dá conta de 467 mortos entre os 759 casos registados na Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa. Apesar dos números continuarem a aumentar, as autoridades asseguram que o risco de propagação para outros continentes é reduzido.

O que se explica pelas características do próprio vírus. O ébola transmite-se por contacto direto com sangue, sémen, urina, fezes ou tecidos de pessoas ou animais infetados. A OMS ainda não desaconselhou as viagens para estes países porque acredita que dificilmente um turista quebraria esta barreira. «O risco para os países europeus é considerado baixo», como se lê no último comunicado da Direção-Geral de Saúde, no qual deixou várias recomendações aos portugueses que viajem para esta zona.

A DGS convocou os diretores clínicos de vários hospitais para uma reunião, que se realizou esta quinta-feira, e na qual a TVI24 sabe que foram analisados quais os procedimentos adequados se aparecer um caso suspeito de ébola em Portugal, como já aconteceu em abril, mas que não veio a confirmar-se. «Estamos a acompanhar a situação numa base diária e ainda não temos necessidade de atualizar as recomendações», explicou o diretor-geral da Saúde, Francisco George.

Para a febre hemorrágica ébola, cuja taxa de mortalidade pode ir até aos 90%, ainda não existe nenhuma vacina, embora muitas estejam em fase de testes. Também não há tratamento, além do controlo dos sintomas, nomeadamente com hidratação por via intravenosa dos doentes, que devem estar isolados. A DGS garante que um país como Portugal estaria «inteiramente preparado» para isto.

A propagação nestes países africanos deve-se sobretudo aos profissionais de saúde e aos familiares dos doentes infetados que não usam equipamento de proteção. O maior problema está nos rituais funerários que envolvem o contacto direto com o corpo e, por isso, a OMS recomenda que os cadáveres infetados sejam imediatamente enterrados.

Nos últimos dois dias, uma cimeira de urgência em Acra juntou a OMS e 11 países africanos para debater as medidas a tomar para travar o ébola. O cenário traçado não é o melhor: é «impossível saber claramente» até onde irá a doença, mas o subdiretor-geral para a Segurança Sanitária prevê lidar com esta epidemia «durante vários meses». Os 11 ministros comprometeram-se a reforçar a cooperação e a aumentar a informação, mas não avançaram com recursos humanos e financeiros concretos.

Já a ONU, a União Europeia, a Cruz Vermelha e os Médicos Sem Fronteiras, que foram os primeiros a alertar para uma epidemia «fora de controlo», prometeram mais apoio no terreno. A OMS vai ainda estabelecer um centro de controlo regional na Guiné-Conacri e o encerramento das fronteiras está, de momento, posto de parte.

Na Serra Leoa, o governo admite que o principal problema é a falta de dinheiro, pelo que vários políticos já prometeram doar metade do salário para o combate ao ébola. Já na Libéria, a falta de informação é preocupante. «O nosso maior desafio é a negação, o medo e o pânico. O nosso povo tem muito medo da doença, mas não acredita que ela exista e, por isso, as pessoas ficam doentes e a comunidade esconde-as», relatou à Reuters a ministra-adjunta da Saúde, Bernice Dahn. O presidente liberiano já prometeu duras consequências para quem esconder doentes e fugir às recomendações das autoridades.

A informação é, portanto, fulcral para conter a epidemia. A OMS sublinha a necessidade do uso de equipamento de proteção quando se trata um infetado, do isolamento dos doentes, de lavar as mãos com frequência e de cozinhar a carne de animais possivelmente infetados. Os sintomas são febres hemorrágicas, vómitos e diarreias, mal-estar geral, dores musculares, de cabeça, no peito, abdominais ou de garganta ou ainda manchas na pele.