Notícia atualizada

Duarte Lima alegou esta terça-feira a sua inocência no caso da compra de terrenos de Oeiras em que teria lesado o BPN e que ficou conhecido por «Homeland».

«Neste julgamento é a minha vida que está em jogo», disse o antigo dirigente social-democrata. «Estou acusado crimes vergonhosos» e «não posso ser condenado pelo que não fiz», argumentou.

«No contexto desta investigação e acusação, e de todo o aparato público, deixei de ser um homem, para passar a ser uma etiqueta, um selo, um carimbo, um símbolo que representava a incarnação do mal. Vivi uma espécie de morte cívica», acrescenta a Lusa.

«Deixei de ser um homem e passei a ser encarnação do mal», acrescentou, criticando o Ministério Público: «A acusação foi mal feita e o procurador do julgamento não foi capaz de se libertar do preconceito».

O antigo presidente do grupo parlamentar do PSD criticou o procurador da República neste processo, afirmando que José Nisa «não foi capaz de se libertar do preconceito» contra o arguido e lembrou que «logo na primeira audiência», o magistrado evidenciou «preconceito».

«Quando faltam os substantivos, usam-se os adjetivos. Quando falta a substância crua dos factos, usa-se o colorido da adjetivação», acentuou Duarte Lima.

Esse «preconceito» foi vincado pelo procurador «na parte das alegações finais em que usou a metáfora sobre a 'caça', para descrever o procedimento que adotou no processo».

«[O procurador] disse que se posicionou neste processo como o 'caçador', que furtivamente, vigilante, às vezes como se estivesse no escuro da noite, perscrutando a direção do vento, atento ao ruído das folhas que caem das árvores, se prepara para capturar a presa - sendo que a presa sou eu», frisou.

Duarte Lime disse que a acusação afeta a sua «honestidade» e «honra», pelo que reafirmou a «inocência quanto aos crimes» de burla qualificada, abuso de confiança e branqueamento de capitais.

Duarte Lima assinalou ainda que este processo teve um efeito «destrutivo e devastador» na sua vida e na do filho, Pedro Lima, também arguido.

Duarte Lima foi ouvido no âmbito do julgamento do BPN que decorre no Campus de Justiça em Lisboa. Esta terça-feira prosseguem as alegações finais no julgamento em que está acusado de burla ao BPN.

No caso «Homeland», Duarte Lima é suspeito de beneficiar de vários créditos no valor de mais 40 milhões de euros, um montante que permitiu adquirir os terrenos, localizados nas imediações da projetada sede do Instituto Português de Oncologia, em Oeiras.

Além de Duarte Lima, são também arguidos no processo, o filho, Pedro Lima, Vítor Raposo, Francisco Canas e os advogados João Almeida e Paiva e Miguel Almeida e Paiva.

A próxima sessão está marcada para 29 de agosto, para que o coletivo de juízes apresente alteração da qualificação de crimes imputados aos arguidos, após o qual deverá ser agendada a leitura do acórdão.