As doenças do foro respiratório foram responsáveis pela morte de 50 portugueses por dia, em 2012, um aumento de 17% em relação ao ano anterior, segundo o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR).

Este documento de 2013, elaborado pela Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP), indica que, em 2012, morreram por doenças respiratórias 13.908 portugueses, além de 4.012 óbitos por cancros da traqueia, brônquios e pulmão.

Os autores referem que estes números representam um aumento de 16,58% em relação a 2011 e de 24,07% em relação a 2005.

Em relação às pneumonias e os cancros do aparelho respiratório, estes representam 60,29% dos óbitos por doenças do foro respiratório (10.805 em 17.920).

Os autores do documento classificam estes dados de «preocupantes», sublinhando que, em matéria de mortalidade, «assistiu-se a uma subida abrupta, praticamente em todos os grupos nosológicos das doenças respiratórias, tanto nas doenças não transmissíveis como a asma e a DPOC, como nas doenças infecciosas, nomeadamente nas pneumonias».

Em matéria de internamentos por doenças respiratórias - asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), pneumonias, fibroses, neoplasias, bronquiectasias, patologia pleural, tuberculose e gripe - em 2012 foram internados 70.546 doentes (64.122 em 2011).

Em 2012, as três principais causas de internamento por doenças respiratórias foram as pneumonias (43.275 casos, 61,4%), a DPOC (8,967 casos, 12,7%) e as neoplasias (6.322 casos, 9%).

Por insuficiência respiratória foram internadas 51.322 pessoas em 2012 (45.395 em 2011).

A mortalidade intra-hospitalar foi de 0,8% na asma, 8,0% na DPOC, 16,7% na insuficiência respiratória, 21,7% nas pneumonias e 28,9% nas neoplasias, aumentando significativamente nos doentes ventilados: 5,3% na asma, 12,0% na DPOC, 31,4% na insuficiência respiratória, 35,7% nas pneumonias e 51,3% nas neoplasias.

Medicamentos vendidos para asma e DPOC inferiores ao número de doentes

O Observatório considera que o número de embalagens de medicamentos vendidas para a asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) em 2012 é «francamente baixo» para o número estimado de doentes.

Estão registados 1.794,27 doentes com asma por 100 mil habitantes e estima-se a existência de 800 mil portugueses com DPOC, sendo que foram vendidas 1.188.375 embalagens.

Os autores consideram que estes valores sugerem «subutilização desses medicamentos».

Sobrevivência por cancro do pulmão diminui

O Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR) revelou que a sobrevivência por cancro do pulmão, cinco anos após o diagnóstico, é mais baixa em Portugal do que nos outros países europeus, o que atribui a «atrasos no diagnóstico».

De acordo com o relatório de 2013 do ONDR, elaborado pela Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP), em 2012 morreram por tumores da traqueia, brônquios e pulmões 4.012 portugueses, o que significa uma mortalidade de 11 portugueses por dia.

Em Portugal, estima-se uma incidência de 38 casos de cancro no pulmão por cada 100 mil habitantes: 29 por 100 mil, no homem, e de 9 por 100 mil, na mulher.

O mesmo documento indica que, ainda em 2012, foram internados, por cancro do pulmão, 6.322 doentes, o que representa uma subida de 1,9% em relação a 2012.

A maior taxa de internamentos por cancro do pulmão verificou-se na região Centro (74,16 por 100 mil habitantes), seguida por Lisboa e Vale do Tejo (71,99 por 100 mil habitantes).

Em relação à mortalidade intra-hospitalar, esta apresentou-se «elevada», embora tenha ido dos 36%, em 2003, aos 28,9%, em 2012, «indiciando algum progresso na terapêutica».