A portuguesa Maria Conceição está disposta a «testar os limites humanos» para angariar fundos para ajudar crianças pobres no Bangladesh, disse esta segunda-feira, após completar sete ultramaratonas num tempo recorde de seis semanas.

«Quero testar os limites humanos. Quanto maior o desafio, maior a impressão deixada na memória das pessoas sobre o que estou disposta a fazer para marcar a diferença neste mundo», afirmou hoje à agência Lusa, numa entrevista por email.

A portuguesa justifica a necessidade de elevar a fasquia para captar o interesse de patrocinadores, vincou: «Talvez assim algumas grandes marcas encontrem mérito nisto e me apoiem e à minha fundação da mesma maneira que o fazem para o [Cristiano] Ronaldo e outras grandes personalidades do desporto».

No sábado, esta filantropa, que exerce a profissão de assistente de bordo, completou, na África do Sul, o «Desafio 777» de correr sete ultramaratonas de 50 quilómetros cada, num espaço de sete semanas, em sete continentes - Antártica, América do Sul, Ásia, Europa, Austrália, América do Norte e África.

Atualmente aguarda que o Livro dos Recordes Guinness confirme os dois recordes que se propôs bater - o da mulher com o tempo mais rápido numa ultramaratona em cada continente e o da mulher que correu uma ultramaratona em todos os continentes no espaço de tempo mais curto.

Embora satisfeita por ter concluído esta prova física, referiu que o fez apenas para angariar dinheiro para a Fundação Maria Cristina, que criou no Dubai para ajudar crianças pobres no Bangladesh.

O objetivo da Fundação, sublinhou, era apoiar entidades que atuam no país, encorajá-las a prosseguir a sua ação e angariar um total de um milhão de dólares (721 mil euros), suficiente para ajudar as muitas famílias que estão a apoiar.

«Estamos muito, muito, muito longe deste objetivo», confessou, acrescentando que os custos continuam a aumentar devido às centenas de pedidos de bolsas de estudo ou de emprego por crianças e jovens adultos do Bangladesh.

Maria Conceição já correu numerosas maratonas, já subiu a montes como Kilimanjaro, Elbrus, Kala Patthar, Denali e Island Peak, alcançou o Pólo Norte em 2011 e, no ano passado, tornou-se na primeira mulher portuguesa a alcançar o topo do Evereste.

Recentemente, foi a mais votada pelo público entre as duas nomeadas para o prémio europeu «Wo-Men», de Mulher Inspiradora do Ano em trabalho social e comunitário, mas, no final, este foi atribuído no sábado à outra nomeada, a luxemburguesa Danielle Diamond.

Apesar do resultado negativo, a portuguesa espera que a participação traga «credibilidade e exposição à Fundação», como conta a Lusa.

Recorde aqui a sua conferência TED, no Dubai, em 2011, em defesa das crianças pobres.