O ministro da Educação espera que a evolução da execução orçamental em 2014 demonstre qual é a situação real do corte que foi aplicado às universidades «de forma não exatamente proporcional àquilo que poderia ter sido».

Nuno Crato referiu-se desta forma a um corte adicional no financiamento das instituições, que os reitores estimam em 30 milhões de euros e que atribuíram a um «erro técnico».

Nuno Crato falava num debate, nesta quarta-feira, em Lisboa, promovido pelo International Club of Portugal, durante o qual foi questionado sobre esta matéria, que já levou a um corte de relações por parte dos reitores e à intervenção do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelhos, em finais de 2013.

«Houve um entendimento. As universidades, em diálogo com o ministério, aceitaram um determinado plafond para 2014 e depois disso houve um corte transversal em toda a função pública que, ao ser aplicado às universidades, por razões técnicas, penalizou mais as universidades do que aquilo que seria lógico se o corte fosse aplicado de forma apropriada àquilo que se passa com os salários universitários», afirmou o ministro.

Nuno Crato, que na terça-feira recebeu os responsáveis pelas universidades, garantiu hoje que na reunião com o primeiro-ministro, em 2013, foi transmitido aos reitores, em princípio, durante o primeiro trimestre de 2014 iria ser acompanhada a situação para verificar se era preciso ou não fazer ajustamentos nas verbas das instituições.

«Foi isso que o senhor primeiro-ministro disse e foi isso que eu repeti ontem [terça-feira]. Se as pessoas ficaram com a ideia de que iria ser pura e simplesmente entregue às universidades 30 milhões a mais, por ter havido contas que correspondiam mais ou menos, a esses 30 milhões, isso não é verdade desde a primeira reunião com o primeiro-ministro, em 2013», garantiu.

De acordo com Nuno Crato, não houve qualquer alteração da posição do Governo, tal como não houve alteração da posição das universidades no sentido de dizerem que esses 30 milhões são absolutamente necessários ao seu funcionamento.

«O ponto em que estamos é exatamente o mesmo em que estávamos em 2013. Portanto esperemos que à medida que a execução orçamental avance em 2014 se possa verificar qual é a situação real desse corte que foi aplicado universidades de forma não exatamente proporcional àquilo que poderia ter sido», concluiu.

O Conselho de Reitores disse na terça-feira que o Governo recuou na intenção de devolver às universidades, no início de 2014, os 30 milhões de euros cortados dos seus orçamentos, acrescentando que Nuno Crato iria voltar a falar com o primeiro-ministro.