A Ordem dos Médicos Dentistas quer que o programa do cheque-dentista seja alargado aos diabéticos, lembrando que é um grupo com riscos adicionais para problemas de saúde oral.

Para o bastonário, Orlando Monteiro da Silva, na atual situação económica do país «deve ser ponderado o alargamento do programa a grupos de risco adicionais, como os diabéticos».

Para isso, Monteiro da Silva frisa ser necessário um «aumento da dotação orçamental» do programa, recordando ainda que há cerca de um milhão de diabéticos diagnosticados no país.

Apesar de a questão das verbas necessários para alargar os cheques-dentista ser uma decisão do Ministério da Saúde, o bastonário considera que se trata de «um investimento que permite uma racionalização de custos».

«Há uma relação enorme entre diabetes e saúde oral. A diabetes precisa de estar controlada para se ter uma boa saúde oral e vice-versa. É preciso um bom controlo da saúde oral, principalmente ao nível da gengiva e do osso, para que a diabetes não seja exacerbada», explicou à agência Lusa.

Monteiro da Silva reforça que não é possível haver um controlo efetivo da diabetes sem controlar a doença da boca e das gengivas.

O Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral ¿ dos cheques-dentista - abrange já crianças e jovens que frequentam as escolas públicas aos 7, 10, 13 e 15 anos, bem como grávidas seguidas nos serviços públicos, idosos que recebem o complemento solidário e portadores de VIH/sida.

Recentemente, a Entidade Reguladora da Saúde questionou a universalidade e equidade no acesso aos cheques-dentista, lembrando que ficam de fora crianças que frequentam escolas privadas e grávidas não seguidas nos serviços públicos.

Mais de 173 mil pessoas já receberam este ano cheques-dentista, com a maior fatia de beneficiários a ser a das crianças dos 7 aos 13 anos, segundo números oficiais da Ordem dos Médicos Dentistas.

Nos primeiros cinco meses do ano, 173.259 pessoas receberam cheques-dentista, com uma taxa de utilização total a rondar os 65%.

Os principais beneficiários são as crianças com 7, 10 e 13 anos das escolas públicas, que receberam já este ano mais de 120 mil cheques para usar em tratamentos dentários em consultórios privados.

Desde o início do programa, em 2008, cerca de 1,9 milhões de utentes tiveram acesso a cheques-dentista, com os quais foram realizados mais de 6,5 milhões de tratamentos.

Este Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral abrange crianças e jovens que frequentam as escolas públicas aos 7, 10, 13 e 15 anos, bem como grávidas seguidas nos serviços públicos, idosos que recebem o complemento solidário e portadores de VIH/sida.

Desde o início do programa, o número de beneficiários tem vindo sempre a aumentar, tendo superado os 413 mil no ano passado, com mais de 633 mil cheques emitidos e 408 mil efetivamente usados.

Segundo o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, os dados do programa mostram ainda que a severidade das lesões tratadas tem vindo progressivamente a diminuir, o que vai ao encontro dos objetivos.

Cerca de 60% das intervenções realizadas correspondem a procedimentos preventivos, como aplicação de selantes, com a incidência das cáries a apresentar diminuições consideráveis nas crianças, «o principal alvo» do programa.

Atualmente, são 3.305 os médicos dentistas a colaborar com o programa, que chega a mais de 5.500 clínicas e consultórios em todo o país.