O chefe do Estado-Maior da Armada apontou esta quarta-feira como necessidades urgentes a substituição de navios que já ultrapassaram o tempo normal de vida e verbas para assegurar horas de navegação e treino dos navios mais sofisticados.

«O problema maior neste momento é que há um conjunto de navios que são muito idosos, que já ultrapassaram o tempo normal de vida e que, por não terem sido substituídos, a Marinha confronta-se com graves problemas com a disponibilidade de navios para assegurar o dispositivo naval padrão que são os navios que asseguram a fiscalização da costa e da zona económica exclusiva», afirmou.

O almirante Macieira Fragoso, que tomou posse do cargo no início de dezembro, falava à Agência Lusa no final de uma audição na comissão parlamentar de Defesa Nacional, que decorreu à porta fechada.

O CEMA apresentou aos deputados a «verdadeira situação da Marinha» que atravessa «problemas que são transversais a todo o país» decorrentes das «restrições financeiras severas» e que afetam o «planeamento em relação à renovação da esquadra, à manutenção dos navios».

Para além da substituição dos navios que já ultrapassaram o tempo normal de vida, corvetas e patrulhas, Macieira Fragoso destacou a falta de «disponibilidade financeira para assegurar as horas de navegação para treino de navios mais sofisticados e exigentes como são as fragatas».

O almirante ressalvou que «fundamentalmente as missões têm vindo a ser cumpridas embora com algumas limitações».

Macieira Fragoso reiterou os objetivos da reforma Defesa 2020 definida pelo Governo, afirmando que serão «as balizas» da sua atuação à frente do ramo, apontando a redução de encargos com o pessoal e a alteração do rácio entre a verba despendida em encargos com pessoal e despesas de manutenção, operação e investimento.

«Temos de trabalhar no sentido de reduzir encargos com pessoal mas também, esperando um aumento do teto do orçamento, atingir esse patamar de uma verba de 60 por cento do orçamento da Marinha destinada ao pessoal e os restantes 40 por cento, 25 por cento para operação e manutenção e 15 por cento para investimento», disse.