A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) quer acabar com as filas de madrugada à porta dos centros de saúde só para conseguir uma consulta. Uma decisão deliberada após um inquérito aos centros de saúde e que o «DN» teve acesso e que revela que o calvário desses doentes conduz a situações de desigualdade e incumprimento nos tempos de espera. O inquérito detetou que havia doentes à porta em pelo menos 15 dos centros visitados.

Esta decisão já levou a uma reação dos médicos que afirmam que a medida não é exequível na prática, por falta de meios humanos. Segundo estes profissionais de saúde, faltam 600 médicos de família, o que corresponde a mais de um milhão de utentes sem médico, mas, quem não cumprir arrisca uma multa até 45 mil euros.

A ERS reforça que o direito a uma consulta no dia está consagrado na lei e, por isso, deu indicações que se afixasse informação nas portas a dizer que não é preciso ir mais cedo e aguardar que a porta da unidade de saúde abra, como conta o «DN».

A ERS dá 30 dias aos centros de saúde para pôr em prática as medidas, de acordo com o documento enviado para todas as regiões e agrupamentos e acrescenta que, para além das coimas, procedimento deve contar ainda para a avaliação dos médicos.