Meio milhar de pessoas, do Alto Minho e da Galiza, Espanha, cortaram este domingo a ponte internacional de Melgaço em protesto contra a construção de uma linha elétrica de muito alta tensão, alegando consequências para a saúde humana.

Empunhando cartazes e cruzes negras, as populações e autarcas dos dois países partiram, a pé, de cada margem do rio Minho pelas 16:30 (hora de Lisboa).

Escoltadas pelas autoridades de ambos os países, as duas marchas encontraram-se no meio da ponte internacional Melgaço/Arbo, cortando circulação automóvel durante 15 minutos, por entre abraços dos manifestantes e debaixo de um coro de protestos, em português e galego.

«Minho e Galiza exigem Justiça», «Escuta Lisboa, escuta Madrid, alta tensão fora daqui» ou «non, non, non á alta tensión», foram as frases lançadas pelos manifestantes, de vários concelhos do Alto Minho e do município galego de Arbo.

Em causa está o projeto para a construção de uma linha elétrica de 400 KV desde Fontefria, em território galego (Espanha), e o seu prolongamento à Rede Nacional de Transporte (RNT), operada pela empresa Rede Elétrica Nacional (REN), até ao distrito do Porto, passando por Viana do Castelo e Braga.

A proximidade desta linha, aérea, às casas, as consequências dos campos eletromagnéticos gerados na saúde humana ou o impacto visual de torres 75 metros com margens de segurança de 45 metros para cada lado são algumas das preocupações apontadas pelas populações.

Do lado português, o presidente da União de Freguesias de Messegães, Valadares e Sá (Monção), garantiu que a ação de hoje, em conjunto com a população galega, é «apenas o início dos protestos».

«A instalação desta linha só traz doença e prejuízo. Para nós não nos traz rigorosamente mais nada», criticou José Carlos Dias, recordando que já deu entrada este mês um pedido de informação na Comissão Europeia sobre o eventual apoio comunitário a este projeto.

Em Portugal, populares e autarquias locais, que já ameaçaram levar o caso para tribunal exigindo que a linha seja antes enterrada, apontam ainda a desvalorização dos terrenos e as consequências para atuais áreas de construção, de turismo e de produção agrícola que serão atravessadas pela nova linha de muito alta tensão.

Preocupações comuns ao lado galego, com o alcaide de Arbo, que liderou o protesto, a sublinhar a «união» das duas populações para «travar» este projeto, face à preocupação com as consequências «sanitárias e económicas» da sua concretização.

«Estamos dispostos a ir até onde seja preciso. Não há motivo, razão, ou sentido comum para o traçado que foi desenhado. Não vieram ao terreno, fizeram isto a partir de Lisboa e de Madrid», afirmou Xavier Simón.

No protesto de hoje voltou a ser reclamada a redefinição do traçado em Portugal e na Galiza, e mesmo que parte deste seja enterrado.

«Não vamos permitir que a linha de alta tensão passe por cima das nossas cabeças e das nossas casas», disse o alcaide de Arbo.

Associaram-se ao protesto eurodeputados eleitos pelos dois países e o coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo.

De acordo com a proposta que esteve em consulta pública ambiental em Portugal até 27 de fevereiro passado, esta nova ligação, a concluir até 2016 permitirá à REN aumentar as «capacidades de interligação com Espanha», melhorando as «condições de alimentação aos consumos do Minho litoral».