A organização Europa Nostra anunciou no domingo, em Viena, os carrilhões do Palácio-Convento de Mafra, no distrito de Lisboa, estão entre os sete monumentos mais ameaçados da Europa «devido ao planeamento inadequado».

O diretor do Palácio Nacional de Mafra disse esta segunda-feira que o reconhecimento internacional de que os carrilhões são dos monumentos mais ameaçados da Europa pode ajudar a encontrar novos recursos para a sua preservação.

Em declarações à agência Lusa, o diretor do palácio, Mário Pereira Santos, salientou que este anúncio é o reconhecimento internacional do «valor excecional» e da importância dos carrilhões, que configuram «um património único» em Portugal.

«Os carrilhões, como todo o património, requerem uma manutenção frequente e assídua. Nós, em Portugal, não temos esta propensão para apostar na conservação preventiva, na manutenção», salientou.

De acordo com o diretor do Palácio Nacional de Mafra, já deveria ter sido aplicado um programa de manutenção.

«O problema dos carrilhões prende-se com o seu suporte, que é em madeira e que, por estar apodrecido, fragiliza a sua estrutura. Nós temos vindo a monitorizar o problema e temos vindo a escorar os sinos para que não caiam. Se caíssem estaríamos perante uma perda irreparável do ponto de vista patrimonial», disse.

O responsável salientou também a necessidade de velar pela segurança das pessoas que circulam na basílica.

Mário Pereira dos Santos adiantou também à Lusa que uma equipa pluridisciplinar de pessoas da área da física e da musicologia está, desde há três anos, a estudar os carrilhões, fazendo ¿um levantamento das patologias do suporte e dos sinos¿.

No que diz respeito aos fundos necessários para se avançar com as obras de conservação, o diretor do Palácio disse esperar que este reconhecimento internacional venha ajudar.

«Nós sentimos que da parte da tutela [secretaria de Estado da Cultura] há um empenho grande em intervencionar, preservar e salvaguardar o património. Esperamos que este reconhecimento internacional da importância do património e do risco que corre possa ser um contributo importante para que se encontrem meios e recursos», disse.

O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, afirmou no dia 12 de março, no parlamento, que o Museu da Música ia ser alojado no Palácio Nacional de Mafra e que os carrilhões do convento iam ser restaurados.

Jorge Barreto Xavier disse que os carrilhões do palácio-convento «estão num estado de degradação elevado» e que existiu há algum tempo uma «sinalização» do Estado deste património.

«Os fundos necessários para a salvaguarda dos carrilhões atingem largos milhões de euros. Vamos usar dois milhões do Fundo de Salvaguarda do Património, mas é preciso mais», disse, sublinhando que este restauro "é uma das prioridades" do Governo por se tratar do «maior conjunto do mundo» de carrilhões.

Os carrilhões de Mafra constituem um conjunto único no mundo de 120 sinos em bronze, sendo que o maior data do século XVIII, realçou a Europa Nostra, como recorda a Lusa.