A Cáritas Portuguesa lançou esta terça-feira, em Portugal, a campanha da confederação internacional «Uma só família, alimento para todos», que apela à erradicação da fome no mundo até 2025.

Lançada no Dia Internacional dos Direitos Humanos, a campanha, promovida pela Caritas Internationalis e que conta com o apoio da Conferência Episcopal Portuguesa, visa alertar os governos de todo o mundo, as Nações Unidades e todos os cidadãos para «o direito à alimentação».

«O objetivo fundamental é procurarmos sensibilizar as populações para a colaboração que todos devem dar, e também os poderes públicos para a erradicação da fome», disse hoje à agência Lusa o presidente da Cáritas Portuguesa.

Eugénio Fonseca considerou que, «se houver o envolvimento de todos e a vontade política dos governantes do mundo, isso será possível acontecer até 2025».

Em cada oito pessoas no mundo, duas não têm a alimentação necessária e não é porque faltam alimentos, mas porque «há uma má distribuição da comida existente».

«Basta vermos os números escandalosos do desperdício alimentar que acontece pelo mundo fora, incluindo no nosso país», comentou Eugénio Fonseca.

Por isso, adiantou, a campanha visa, «em primeiro lugar», sensibilizar as pessoas para o facto de a alimentação ser «um dos direitos alienáveis».

«A ninguém deve ser negada a possibilidade de ter refeições necessárias e, em termos nutricionais, competentes para a sua subsistência e desenvolvimento harmonioso», salientou.

A iniciativa também pretende sensibilizar as populações para que «todos deem um contributo na melhor gestão dos produtos alimentares que têm à sua disposição» e, para isso, a Cáritas irá realizar ações para a educação alimentar junto das escolas e de empresas de restauração.

«Queríamos também que o direito à alimentação fosse consignado na legislação do nosso país e vamos ver como é que vamos conseguir que isso aconteça», sublinhou.

Uma «onda de oração» que irá percorrer o mundo inteiro, envolvendo, à mesma hora (11:00 em Portugal), todas as organizações Cáritas e muitas outras pessoas, marca o início oficial da campanha internacional.

«Vamos rezar uma oração para pedirmos a Deus, não que seja Ele a resolver o problema da fome, mas que dê a força e os convencimentos necessários para que sejamos capazes de encetar esta luta com convicção, com determinação», disse o responsável.

Eugénio Fonseca adiantou que são muitas as iniciativas que a Cáritas pretende realizar, nos próximos dois anos, para que se consiga atingir o «objetivo imprescindível» de erradicar a fome no mundo em 2025.

«Isto não é uma utopia, isto é uma possibilidade que está ao alcance de todos, provado pelos peritos nesta matéria», frisou.