A Cáritas Portuguesa inicia esta quinta-feira o seu Peditório Público Nacional, com o objetivo de angariar fundos para apoiar mais de 52 mil famílias carenciadas.

No ano passado, a Cáritas atendeu 139.059 pessoas (integradas em 52.967 agregados familiares), com problemas de desemprego, baixos rendimentos, habitação e alimentação.

Para apoiar estes carenciados, milhares de voluntários vão apelar «à generosidade e à partilha» dos portugueses no peditório, que irá realizar-se até domingo em várias cidades e estabelecimentos comerciais do país.

Segundo a instituição, «este gesto público é de uma importância fulcral», já que reverte a favor dos diferentes projetos sociais concretizados em cada uma das Cáritas Diocesanas do país.

«Um gesto comunitário e também de desafio, já que lembra a cada português que todos estamos implicados na construção de uma sociedade mais justa e solidária. Sem o contributo de cada um de nós não poderá nunca haver uma verdadeira noção do bem comum», afirma em comunicado o presidente da Cáritas, Eugénio Fonseca.

A Cáritas sublinha que, em 2013, «perante todas as dificuldades económicas, consequência das diferentes medidas de austeridade», o peditório público angariou 296.126,38 euros (menos 2.139,75 euros do que em 2012).

Eugénio Fonseca reconhece à agência Lusa que há razões para que as pessoas contribuam menos, mas deixou o apelo para que todos deem o contributo possível no peditório nacional.

«Infelizmente, nos últimos anos, neste contexto de crise e de auxílio às pessoas que têm sido mais vítimas das medidas onerosas que a crise tem criado, as pessoas estão a ficar saturadas de tantas solicitações (...) e compreendo que possa haver essa saturação, porque quando se entra na normalização deste tipo de coisas, pode-se também cair no esquecimento e até na indiferença¿, explica.

Também poderá haver uma diminuição no valor angariado, porque as pessoas «estão cada vez mais empobrecidas».

«Mas o povo também nos tem surpreendido e quando achamos que as coisas vão ser assim, o povo surpreende-nos com uma generosidade que não estávamos a pensar que poderia ser tão expressiva», defende Eugénio Fonseca.

O peditório insere-se na Semana Nacional da Cáritas, que teve início na segunda-feira e se prolonga até domingo, sob o lema «Unidos no Amor, Juntos contra a fome».