A Assembleia da República aprovou esta sexta-feira por unanimidade um voto de pesar pela morte de José Policarpo, considerando-o um dos «obreiros da consolidação» da democracia e da «construção de uma sociedade de diálogo e tolerância».

Ao voto de pesar do parlamento, que foi seguido do cumprimento de um minuto de silêncio pelos deputados, associou-se o Governo.

O documento descreve José Policarpo como «figura marcante na renovação da Igreja em Portugal e um dos obreiros da consolidação" da democracia portuguesa "e da construção de uma sociedade de diálogo e de tolerância».

«Reconhecido pelos bispos portugueses como tal, foi um dos membros da Igreja Católica mais bem preparado a nível teológico, sendo que, para si, nenhum obstáculo teológico fundamental existia ao sacerdócio feminino, o que lhe valeu reparos da Cúria Romana», lê-se no voto que a Lusa cita.

O voto refere-se ao antigo cardeal patriarca de Lisboa como um «homem aberto ao Mundo e ao diálogo com o mundo não crente, caloroso e dialogante», além de um «intelectual respeitado», que «não teve nunca medo do uso das palavras para dizer o que pensava» e «nunca deixou de ter um olhar crítico para com o país e a sociedade».

José Policarpo foi um «protagonista da renovação cultural da Igreja Católica», e «do ponto de vista humano, nas palavras do padre Carreira das Neves, era um pai para os padres da sua diocese», lê-se no documento.

O voto refere-se também ao período em que Policarpo dirigiu o seminário dos Olivais, nos anos sessenta e setenta, «os anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II e os anos do Estado Novo, com padres a abandonar a Igreja Católica ou a serem afastados por não concordarem politicamente com a ditadura».

«Décadas mais tarde, é Dom José Policarpo que os reintegra, e, em 1998, chega mesmo a celebrar o matrimónio de um deles», lê-se no voto.

«A preocupação com as famílias e a justiça social foram também sempre uma constante na sua vida», refere igualmente o documento aprovado.

José Policarpo, cardeal patriarca de Lisboa de 1998 a 2013, morreu na quarta-feira, aos 78 anos, durante uma intervenção cirúrgica a um aneurisma na aorta.

O Governo aprovou na quinta-feira, em Conselho de Ministros, um dia de luto nacional que será cumprido hoje, pela morte do cardeal.

José Policarpo era patriarca emérito de Lisboa, depois de ter sido patriarca entre 1998 e 2013.